Sobre o livro
«De modo que da Boa Vista da minha infância
pouco mais já resta que o prazer de usar o tempo.
É uma noção do tempo em que o hoje e o amanhã,
o agora e o mais daqui a bocado, continuam significando
a mesmíssima coisa. E quando para lá ia em férias,
ia sobretudo em busca desse tempo sem relógio,
que é nosso e está por nossa conta.»
«O quebranto era suspeitado quando uma criança ficava de repente com o corpo esmorecido, sobretudo se era uma criança no geral irrequieta ou traquinas. Mas de repente ficava calada, ensimesmada, quase a querer esconder-se pelos cantos da casa, perdida a vivacidade e a capacidade
de fazer terribezas. Nesses casos […] decidia-se que a criança tinha sido quebrantada […].
Germano Almeida nasceu na ilha da Boa Vista em 1945. Licenciou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa. Vive em São Vicente onde, desde 1979, exerce a profissão de advogado. Publica as primeiras Estórias na revista Ponto & Vírgula, assinadas com o pseudónimo de Romualdo Cruz.
Estas «estórias», depois de revistas e reescritas, às quais se acrescentaram algumas inéditas, foram publicadas em 1994 com o título A Ilha Fantástica que juntamente com A Família Trago, 1998. Mas o primeiro romance publicado por Germano Almeida foi O Testamento do Sr.
Napumoceno da Silva Araújo, em 1989. Todas as suas obras confirmam o título que desde sempre reclamou, o de contador de «estórias».
Autor vencedor do Prémio Camões 2018
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