Sobre o livro
“A Linha Entre Brasil e Venezuela” não é apenas um romance — é um relato visceral, um testemunho em carne viva das fronteiras que não estão nos mapas, mas nas cicatrizes de quem as atravessa.
Em meio à poeira vermelha da BR-174, à fumaça dos garimpos ilegais e ao cheiro de gasolina adulterada, pulsa um universo de dor, esperança e resistência. Rosa, sobrevivente e guardiã de uma pequena lanchonete em Santa Elena, serve arepas quentes e escuta os sussurros da fronteira.
Em seu cotidiano de luta, cruzam-se destinos marcados pela ganância, pela migração forçada, pela exploração humana e pela busca desesperada por dignidade.
Através de personagens como Carlos, o motorista que carrega nas costas o peso do que viu nos garimpos; Juan, o filho de Rosa, cuja inocência é ameaçada a cada dia; Maria, a rezadeira que bate a chicha como um mantra de sobrevivência; Rita, a mulher que aprendeu a vender até a própria filha; e Diago, o “Diabo” reencarnado em terno caro e Hilux preta — a narrativa tece um painel brutal e poético da fronteira mais quente e esquecida da América do Sul.
Da feira clandestina de Pacaraima aos rios envenenados do território Yanomami, da música alta do reggaeton ao silêncio pesado das crianças desaparecidas, este livro expõe as veias abertas de uma região em convulsão: o tráfico de pessoas, o ouro sujo, a crise venezuelana, a indiferença dos poderosos e a teimosia luminosa dos que ainda acreditam em amuletos, em arepas e em sementes de moriche.
Uma obra sobre o preço do silêncio e o valor da palavra. Sobre a fronteira que separa países — e a que une os que sofrem. Sobre a linha tênue entre a sobrevivência e a perda da alma.
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