Sobre o livro
As emoções sempre foram o coração da experiência humana. Antes das cidades, antes das leis, antes mesmo da escrita, já havia o riso, o choro, o medo e o amor. Elas são a linguagem mais antiga que nos conecta uns aos outros.
Mas no século XXI, essa linguagem está sendo traduzida, moldada e até manipulada por forças inéditas: algoritmos, mercados, redes digitais e biotecnologias. Vivemos em uma era em que sentir deixou de ser apenas espontâneo.
O amor pode ser mediado por aplicativos; a esperança pode ser mobilizada por hashtags; o medo pode ser amplificado em tempo real por imagens de guerras e pandemias. O que antes era íntimo tornou-se público, e o que era privado tornou-se mercadoria.
Spinoza já nos lembrava que “Não choramos, não rimos, não desejamos porque julgamos; julgamos porque choramos, rimos, desejamos.”. Ou seja, nossas emoções não são simples reações, mas forças que moldam o próprio pensamento.
Hoje, essas forças são atravessadas por tecnologias que as potencializam ou distorcem. Exemplos contemporâneos: O amor algorítmico: milhões de pessoas encontram parceiros em aplicativos que calculam compatibilidades. O acaso do encontro é substituído pela lógica do algoritmo.
O medo globalizado: durante a pandemia de COVID-19, o medo não foi apenas biológico, mas também digital, transmitido em tempo real por gráficos, notícias e imagens de hospitais lotados.
A esperança digital: movimentos sociais como Black Lives Matter ou campanhas de solidariedade durante crises humanitárias nasceram da emoção compartilhada em redes sociais.
Filosofia e emoção: Martha Nussbaum, em “Upheavals of Thought,” defende que as emoções são julgamentos de valor, expressões do que consideramos importante. Se isso é verdade, então o futuro das emoções será também o futuro daquilo que valorizamos como sociedade.
Han alerta que vivemos em uma “sociedade do desempenho”, onde até a alegria e a motivação são exigidas como produtividade. Este livro também discute uma questão filosófica e prática: viver e morrer no Brasil, ou viver e morrer em Portugal.
“A vida é talvez apenas o espaço onde sentimos.”, Rainer Maria Rilke. Rilke estando certa, então o futuro das emoções é também o futuro da própria vida.
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