Aluísio Azevedo: Romances Selecionados (Annotated): O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço — Edição crítica com ensaios

Por Aluísio Azevedo

Sobre o livro

Três romances que dissecaram o Brasil antes que o Brasil estivesse pronto para ser dissecado. A obra mais importante de Aluísio Azevedo, reunida numa edição crítica com dois ensaios inéditos.

Aluísio Azevedo (1857–1913) foi o escritor mais incômodo de sua geração.

Enquanto Machado de Assis contemplava a hipocrisia brasileira com ironia fina e distância calculada, Azevedo mergulhava fundo — no cortiço, na pensão, na casa de família — e trazia de volta um retrato que o país preferia não reconhecer.

Naturalista declarado, discípulo de Zola, ele via os seus personagens como produtos inevitáveis do meio, da raça e do momento histórico. Não havia salvação possível. Só havia mecanismos.

O Mulato — Raimundo é jovem, educado na Europa, filho de português com escrava. Volta ao Maranhão convicto de que a inteligência e a formação valem mais que a origem. O romance é a história lenta e brutal dessa ilusão sendo destruída. O Cônego Diogo, o clero, as famílias de propriedade — nenhum o atacará abertamente. Apenas fecharão as portas, uma a uma, até que não reste saída.

Casa de Pensão — Os habitantes de uma pensão carioca da década de 1880: o estudante provinciano que vem tentar a sorte, a mulher que seduz e manipula, o homem que perde a cabeça. Um romance urbano sobre as vidas que se cruzam em espaços de passagem — e sobre o quanto a promiscuidade de teto pode ser tão devastadora quanto qualquer outra.

O Cortiço — A obra-prima. Uma coletividade inteira como personagem: o cortiço carioca como organismo vivo, pulsante, que respira, devora e digere os seus habitantes. João Romão, o especulador sem escrúpulos que sobe socialmente sobre os corpos dos outros. Bertoleza, a negra que trabalha a vida toda para ser traída. Miranda, o vizinho que observa com inveja e asco. Nenhum sai ileso. Nenhum sai.

Esta edição contém também:

✦ A Máquina do Brasil: Aluísio Azevedo e o Romance da Inevitabilidade — ensaio crítico de Henry Bugalho sobre a lógica naturalista que governa a ficção de Azevedo: a ideia de que os homens são produtos do clima, da raça e do ambiente, e o que isso significa num país onde raça e meio são questões políticas explosivas.

✦ O Escritor entre Dois Mundos: Aluísio Azevedo e a Impossibilidade da Arte no Brasil — ensaio biográfico-crítico sobre a trajetória de Azevedo: como o maior romancista naturalista do Brasil acabou abandonando a ficção aos 38 anos para entrar no corpo diplomático, e o que isso revela sobre as condições de produção literária no país.

✦ Edição organizada e prefaciada por Henry Bugalho.

Para leitores que gostam de:

✦ Literatura brasileira do século XIX — Machado de Assis, Lima Barreto, Euclides da Cunha ✦ Naturalismo e realismo crítico — Zola, Flaubert, Eça de Queirós ✦ Romances sobre raça, classe e mobilidade social no Brasil ✦ Clássicos com aparato crítico que lê a obra sem condescendência

Azevedo viu o Brasil como máquina. Esta edição explica como a máquina funcionava — e por que ainda funciona.

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