Pequeno Tratado de Imagens

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Esse é o típico livro de poemas cuja forma é a mais utilizada por Humberto Henriques, a partir dele quase todos os livros de poesia, salvo naturalmente os visuais, assumem essa forma. Aqui são 8 blocos nomeados – cada bloco tem um nome -, e cada bloco tem dez poemas numerados.

Esse mecanismo garante a organização de uma obra monumental. Mais de 360 livros de poesia escritos ao longo de quase 60 anos de existência. Isso sem contar os romances, contos, ensaios, novelas, certas crônicas e peças para teatro. Esse é um grande tratado de imagens.

Um livro epigramático, na verdade. Como cada livro de Humberto prima por uma certa distinção de estilo, conhecer mais esse seria necessário diante da exponencial grandeza desse escritor muito fecundo. A sua poesia parece não se esgotar jamais.

Tanto isso é a verdade que aqui estão mais um livro, esse Pequeno Tratado de Imagens, em verdade, é um grande tratado de imagens.

Quando me coube a tarefa de levar avante a apresentação desses livros, eu escutei de mim mesmo que isso seria um trabalho exaustivo e quase impraticável, mormente se houvesse um tempo definido pra a entrega do material. Eu o sabia perfeitamente.

Então, resolvi investigar mais existências do que simplesmente analisar livro a livro.

Se analisar um livro somente desse escritor já é tarefa tresloucada e difícil, imagine-se meter a cara em 360 compêndios – pelo menos por enquanto estamos nesse número -, livros cuja amplitude e complexidade vão muito além da normativa escrita de uma informação jornalística.

Estamos falando na verdade, de uma revolução na Literatura Universal. Num dia desses, perseguindo estas histórias e tentando reverter o meu parco conhecimento para a apresentação desses livros, alguém me chamou a atenção para um detalhe súbito.

Se há em mim fonte de energia, toda ela funciona para não menoscabar o autor dessa obra. Pois que me chamavam a atenção justamente para isso, estamos a falar de Literatura Universal. A criatura que me interpelou me disse que se acaso não seria mais prudente falar de Literatura Brasileira.

Eu raciocinei um pouco e cheguei à conclusão de que seria melhor ir logo para um cargo um degrau acima dessa proposta. Essa Literatura Brasileira mereceria, de fato, ter sido mencionada, visto que é rica e atenciosa com seus leitores. Mas tem sido espezinhada demais nos últimos tempos.

Chega mesmo a ser esquecida sob vários aspectos. Então, melhor falar logo de Literatura Universal e esperar o eco, a consonância dessas palavras de acordo com um tipo de redenção suposto pelos céus.

Estamos diante das possibilidades de um Prêmio Nobel de Literatura, já que contamos com qualidade, quantidade e gênio literário comprovadamente valoroso.

Portanto, quando um escritor assim é elevado a um grau qualquer de elucidação, esse charme – digo isso com palavras de um inventor de delírios, pois meu nome continua a ser Honorico de Bulhões – costuma causar espécie. E causa de fato. Espécie e certo despudor.

Quem me interpelou disse que uma maneira melhor de convencimento é sempre baixar a bola. Concordar inteiramente com isso é também e deveras tarefa que me compete. De acordo. Só que as coisas deveriam ser anotadas com um otimismo maior e mais acelerado.

Essa tristeza dos trópicos, esses Tristes Trópicos, precisa ser enfrentada com mais vigor e menos dependência. Estamos diante de uma produção literária invulgar e isso nos remete para a reinvindicação de perda de nomes defectivos, como esse de terceiro-mundismo que nos achaca de maneira continuada.

Essa depredação dos valores em função de um mundo desnutrido em termos de Literatura. O tempo em que tudo era francês ou americano já se foi. Estamos inseridos no contexto da universalidade e foi isso que atingiu meu interlocutor. Esse tipo de comportamento nos reduz ainda mais ao grau de escumalha.

Diante de tudo que ocorre, a melhor maneira de preservar a identidade de um mundo renovado é crer que deveras ele está renovado. Aqui, na obra de Humberto Henriques

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