Sobre o livro
Na minha busca por entender as coisas e o mundo, descobri que vivia uma grande mentira. Durante anos me ajoelhei, orei e pedi a intervenção de Deus na minha vida. Busquei, com o coração aberto, a santa divindade que prega o amor incondicional com seus filhos, mas cheguei à conclusão de que isso é uma grande invenção.
Neste pequeno livro, vamos discutir e apresentar argumentos contra a existência de Deus. É incrível acordar depois de tantos anos vivendo na escuridão e romper o invólucro da embalagem cristã: é como respirar um ar mais puro e ameno. É ferir a casca do ovo e eclodir para a liberdade do pensamento e da vida.
A liberdade de pensamento não vem com garantias de felicidade; porém, vem mais perto da verdade — ou do que acreditamos ser a verdade. Sair da matrix que prende nossa mente é tão aliviante quanto beber um gole de água no deserto escaldante.
Mas, depois de beber, você coloca o cantil na mochila, olha para a frente e vê dunas e mais dunas sem fim, com o calor emanando e queimando seus pés na areia. Entretanto, entendemos que precisamos continuar a caminhar, pois parar significa a morte e o reconhecimento do fim.
Não vou mentir: é libertador. Porém, quando limpamos nosso corpo das mentiras e da escuridão da caverna, ficamos quase vazios, e esse vazio precisa ser preenchido para que o vento não nos leve à penumbra da agonia. Vamos preencher o vazio da máquina com conhecimento e, quem sabe, sermos capazes de ter pequenos lampejos de felicidade no caminho.
A história começa com a minha jornada de como concluí o ateísmo. Depois, vamos abordar de forma leve alguns argumentos que, confesso, me abalaram no percurso do conhecimento; porém, superei todos e consegui trilhar um caminho mais aberto para o pensar. Por exemplo, a questão dos axiomas é bem preocupante e perigosa. Entretanto, com um pouco de leitura e dedicação, entendemos a artimanha por trás das falácias dos que os pregam.
Em seguida, vamos abordar temas que assustam quem está começando a entender o ateísmo.
Confesse: você já sentiu aquele friozinho na barriga quando alguém disse assim: “Se Deus não existe, de onde vem a bondade?” Ou, então, aquela conhecida frase: “Se Deus não existe, a vida não tem sentido!” Mas fique tranquilo: procurei, neste livro curto, falar um pouco sobre isso com respeito, é claro, mas também com convicção do estado de ausência de crença em que me encontro neste momento.
O leitor também terá a oportunidade de sentir isso.
No decorrer, vamos pontuar a questão da rejeição que sofremos quando saímos do armário do ateísmo. A rejeição dói — e dói muito. Por isso, precisamos nos preparar para ela.
Cito também alguns tipos de ateus no final dos capítulos, e lá relato qual tipo de ateu sou e por qual motivo sou assim. Logo adiante, incluí alguns contos bem curtinhos que escrevi para trabalhar questões de diversidade com meus alunos — sim, eu sou professor. Esses contos reflexivos são, como o nome já indica, para a reflexão. Espero que gostem.
De imediato, quero adverti-los: minha intenção aqui não é, de forma alguma, ridicularizar religiosos ou colocá-los como pessoas não pensantes. Minha proposta é trazer, para os leitores iniciantes no ateísmo, conceitos que nos permitam afirmar nossa posição ateísta e perder o medo de ser ateu. Ser ateu, sim, mas com respeito e convivência com os religiosos, repudiando o fanatismo e, principalmente, o obscurantismo do ser.
Desejo a você uma boa leitura. Vamos lá.
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