Sobre o livro
Naturalmente as lágrimas dentro da alma fazem um silêncio colossal, de tempo infinito. Nessa escolha de imagens está a fertilidade da poesia de Cláudia Brino. A pessoa do/da poeta é um ser cheio de tristeza, igual que o silêncio.
Principalmente para escrever, a inspiração requer ao mesmo tempo a tristeza e o silêncio. Por isso é que em outros poemas a imagem do silêncio, às vezes, predomina e se impõe como um vigia: “o silêncio de tudo me observa” diz a poeta no poema “rompimento”.
Outro poema que leva este tema às consequências finais é o “em oração” que diz: “dentro do meu silêncio a lágrima pesada disse tudo”. Até mesmo a visão da morte tem seu aspecto feminino na poesia de Cláudia Brino.
A poesia filosófica expressada em palavras simples, vindas do pensamento reflexivo, mas que toma a realidade como um ponto de partida para toda a inspiração.
Para a morte vamos sem “passaporte” como diz a poeta: “clandestinamente a terra invadiu meus pensamentos, ajeitou-se sobre meu corpo e foi o lençol de minha lápide”. O tratamento da terra e da lápide, da mesma forma que o vestido é a magia da mentalidade feminina.
Nenhum homem pode ultrapassar essa ideia.
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