Castidade

Por Roger Dageerre

Sobre o livro

Era uma vez uma jovem de nome Anaile que estava concluindo o curso de teatro. Ela conseguiu, através do amigo Bulcão, um estágio remunerado no Teatro Artur Azevedo, pois precisava de dinheiro para bancar os estudos, ajudar na renda familiar e também para receber o diploma.

Chegou ao teatro cedo e ficou aguardando o funcionário Victor para atendê-la. Aproveitou para conhecer as dependências internas do teatro, pois conhecia apenas por fora. Aquele momento, para ela, era como um sonho.

Apreciar o teatro por dentro era muita emoção – imagine se ela fosse atriz principal do espetáculo! Ficou tão distraída que Victor teve que bater palmas para ela perceber que ele já estava presente. – Desculpe-me! Sou Anaile. – Muito prazer! Sou Victor. Foi Bulcão quem mandou você me procurar? – Sim.

Victor apenas entregou o papel que ela tinha que decorar, em 15 dias, para contracenar com o ator profissional Douglas, que já fazia sucesso no teatro. Ela sentou-se próximo de Victor e começou a ler em silêncio, e ele ficou arrumando a sua mesa.

Naquele momento, Anaile deixou escapar um discreto sorriso, e Victor perguntou: – Você está gostando? – É interessante, mas não me vejo interpretando esse papel diante do público. – Por quê? – Sou de família tradicional e, com certeza, os meus familiares vão assistir ao espetáculo. – Leu tudo?

– Ainda não. – Então, continue. Anaile terminou a leitura do texto e continuou sorrindo. Ele perguntou qual era a graça. Ela respondeu que o papel era imoral, e que a vida é boa, a vida é bela, mas não ia aceitar pelo motivo que já tinha explicado. E finalizou que não tinha coragem para tanto.

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