Sobre o livro
O boneco raivoso (El juguete rabioso, 1926) já foi traduzido no Brasil como O brinquedo raivoso, mesmo título dado ao filme homônimo no Brasil. Na verdade, não se trata de uma brincadeira.
O juguete em questão é o próprio protagonista, Silvio Astier, que se vê como um boneco nas mãos do destino, e que se revolta com as amarras da sociedade, resignado à classe baixa sem perspectivas de uma vida melhor.
Esta é a primeira novela de Roberto Arlt, na qual ele sublima sua autobiografia com um tempero de anarquismo. Desde o envolvimento em pequenos furtos, entre subempregos e a tentação do dinheiro fácil, o adolescente se mune de revólveres e planeja assaltos cada vez maiores.
Arlt cria uma dicotomia entre a vontade de assimilar conhecimento pela literatura e a desilusão com as estruturas estabelecidas das classes sociais, que impedem um jovem de escolher sua profissão.
Sua prosa crua guarda o talento dos grandes escritores, com ideias e sugestões brilhantes escondidas detrás das palavras rudes e episódios mundanos, contrastes ao longo do livro como a biblioteca fechada por uma pesada porta que guarda lombadas de volumes em letras de ouro atrás de estantes de vidro; e um sebo entulhado de livros velhos, uma caverna de Trofônio, onde vivem as pessoas mais execráveis que a humanidade já produziu.
Esta edição de O boneco raivoso integra a segunda temporada do projeto Literatura Livre, fruto da parceria entre o Sesc São Paulo e o Instituto Mojo de Comunicação Intercultural, que promove o acesso gratuito a obras clássicas em domínio público por meio da tradução direta do idioma original.
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