Diário de uma Extinção – Primeiro Contato

Por Isaac Barrao

Sobre o livro

No momento que ocorre uma tragédia, nos refugiamos em nosso entorno, a família e os amigos.

Pensamos de forma inconsciente que, quando vemos notícias de um câncer que tirou a vida de um pobre menino, que sequer conhecemos, ou de um desastre natural que extirpou as ilusões de milhares de pessoas, sepultando suas frágeis vidas sob toneladas de escombros, essas coisas nunca nos atingirão.

Talvez, algum tipo de sensor biológico se ative em nossa cabeça para enganar o medo.

Tudo aconteceu muito depressa. Não nos demos conta e, se o fizemos, nunca movemos um dedo para detê-lo. No entanto, foi então que a submissa humanidade, enganada durante décadas por dirigentes sem escrúpulos, se desvaneceu; pelo menos, durante um tempo.

Aqueles que tinham que nos proteger, amparados pela democracia, grandes homens podres de dinheiro graças ao suor amargo da população, foram os primeiros que abandonaram a Espanha.

Todos sabiam. Desde o primeiro momento que transportamos, da África para Madri, o missionário espanhol infectado com ebola.

Sabíamos.

Não dissemos nada. Como sempre. Calamos por medo de a Europa nos tratar como se fôssemos animais sem compaixão por abandonar um dos nossos a uma morte certa, ou talvez, para tentar demonstrar, sem sucesso, o que não éramos. Manifestamos, uma vez mais, a incapacidade de nosso governo.

Milhões de espanhóis estavam em suas casas, jantando com suas famílias, quando aconteceu.

Aquele dia foi o princípio do fim.

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