Aventuras de um Alferes em Angola (1963–1967)

Por Pedro BeltrÃo

Sobre o livro

«Sempre sonhei ter um macaco! Não sei bem desde quando, nem porquê… a ideia apareceu­-me, talvez, por ter ido tantas e tantas vezes ao Jardim Zooló­gico quando era pequeno. Ou talvez a vontade de ter um macaco me tenha vindo do filme do Tarzan com o Johnny Weissmuller, que tantas vezes vi no São Luiz e no Jardim Cinema.

Mas, verdadeiramente, esse desejo veio ao de cima quando cheguei a Angola. Uma certa nostalgia do passado ou simples­mente porque me sentia bastante isolado? Não sei! Resolvi mesmo arranjar um macaco, logo após ter regres­sado de Luanda.

Numa das minhas visitas ao soba Mocobote, encomendei-lhe um macaquinho. Tinha de ser de pouca idade e de raça que não crescesse muito. Prometi-lhe cinquenta escudos.

Passadas umas três semanas, estando eu no quartel, cerca das nove horas da manhã, já o sol estava quente, chamaram-me ao portão pois havia um grande grupo de negros para me falar. Fiquei boquiaberto! Defronte da porta de armas, esta­vam mais de trinta pessoas, entre homens, mulheres e crianças.

O grupo era encabeçado pelo soba Mocobote, que se adiantou para me cumprimentar. Trazia botas, certamente calçadas antes de entrar na povoação, uma capa comprida de pele de olongue (kudu) fina e bem curtida e um grande chapéu de copa alta.

A algazarra alegre e bem-disposta calou-se repentinamente; quando o soba avançou para mim, todos queriam ouvir a saudação.

– Bom dia, mê arfere. Soba Mocobote cumprir paravra e trazê macaco.»

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