Sobre o livro
Adaptação em prosa do “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente.
“As duas barcas tinham encostado ao cais não muito longe uma da outra. A tripulação podia até trocar palavras entre si.
Mas isso não acontecia, pois os anjos e os demónios estavam proibidos de se relacionarem por causa de uma lei que, embora não fosse ratificada por ambas as partes, tinha o acordo implícito das mesmas. Eram barcas muito diferentes.
Uma estava pintada de negro e tinha escrito a estibordo em letras de fogo Barca do Inferno. As velas não se sabia bem de que cor eram devido à sujidade. Cheirava mal e era quase impossível alguém aguentar-se dentro.
Não fossem os seus tripulantes demónios e certamente teriam fugido para lugar mais arejado.”
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