– Filho das massas, das massas abusa

Por Rogerlando Cavalcante

Sobre o livro

Ana Arendt já assinalou a letargia, a inércia daquele que faz o mal sem questionar, pelo contrário, convicto de que age com honra. Mas Arendt não diz da origem da banalidade do mal: o bem(…)

Tudo começa com o condicionamento – a promessa de uma vida digna e feliz às massas. Depois, já tendo sido seduzida pela promessa, ela recebe uma recompensa – algo assistencialista e/ou clientelista – e, gratificada, passa ao apoio incondicional. Para o bem de todos: dela e do líder.

Mas quando o mal se revela, o “líder” já domina – e já não adula, se impõe. Tiraniza.

Modernamente os intelectuais não são os primeiros a aderirem às tiranias – são seus formuladores.

(…)

Ou seja, a tentação autoritária seduz mais fácil e sacrifica aquilo que não é fácil de conquistar, de manter e mais ainda de recuperar: a liberdade democrática.

(…)

O pretexto para toda tirania é o mesmo – para o bem.

Diz o poema: “Demônio não nasce do nada” – de fato, “nasce/ Do ódio, da inveja – nasce do rancor, / Nasce da estupidez e do que nasce / Se alimenta…de miséria e furor. O tirano é “Filho das massas” e “das massas abusa”. O tirano, primeiro adula as massas, depois as massacra.

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