Educação do Hábito – 5000 anos em 5 – O Brasil que queremos
Por Mario Manhães MossoSobre o livro
Prefácio
Não gosto da espera nem da prudência, pois sei que elas são as desculpas mais polidas para a inação dos intelectuais. Entretanto, existe um conflito nítido, em mim, entre a hora certa, ou o “tudo tem seu tempo” e o fazer acontecer.
Nesse livro, eu que me incomodo profundamente em “não concluir as coisas”, se tivesse lutado para finalizar logo esse trabalho, não teria juntado a ele informações importantes, que foram aparecendo com o tempo.
Lutei contra mim mesmo diversas vezes, quando queria caminhar, mas ainda parecia faltar sustentação em alguns pontos; o que terminaria em 2010 me perseguiu até 2015. Finalmente parece, só parece, que as conexões foram feitas e estão em harmonia.
A sensação de uma educação ineficaz me persegue há muitos anos. E não falo só do sistema educacional, mas da educação como um todo, por todos e para todos. A sensação de que estamos como escravos do simples fluxo, e de que não conseguimos ou não queremos mudar esse fluxo através da educação.
Se me permitem a confissão, tenho razões para crer que a educação do hábito é um dos elementos mais importantes para o desenvolvimento de uma nação no caminho da felicidade.
Minha especialidade é estratégia e planejamento educacional, mas por necessidades de uma instituição de ensino, entrei na área de gestão ambiental; embora sempre incomodado com a educação moral, foi a área ambiental que me permitiu as pesquisas que foram o embrião desse estudo.
Mas a área de gestão, ou administração, é sempre voltada á utilidade e à eficácia. Então, conectaram-se a utilidade, a moral e a educação. E em um momento que não consigo precisar, percebi a ineficácia da educação ambiental; minha ineficácia.
Alunos que me acompanhavam por todo o ensino médio e técnico, recebiam as informações sobre como cuidar e preservar o meio ambiente, desde o primeiro período.
Entretanto, até o terceiro e último ano não executavam ações mínimas ou básicas de educação ambiental, como apagar a luz ao sair da sala de aula. De que valem três anos de conscientização se não apagam a luz? Afinal, o que queremos com a conscientização não são ações?
A partir dessa percepção, resolvi por buscar resultados evidentes, alterando completamente a minha metodologia de ensino para essa disciplina.
Entretanto, a questão não era ambiental, mas comportamental, logo, presente em qualquer área que o nosso comportamento pode afetar: todas as áreas do conhecimento. Uma pesquisa anterior me mostrou que os hábitos têm força maior que o conhecimento, que o saber.
E então que educar hábitos tem impacto maior que toda a educação convencional, mas também aniquila esta, assim como a potencializa. Busquei o máximo de utilidade para nossa sociedade, mas qual a abordagem ou estrutura mais útil? Estava desenvolvendo alguma coisa, mas não vinha a definição.
Resolvi começar pelo fim. Mas qual era o meu fim? Qual é o objetivo maior de tudo que fazemos em educação? Termos pessoas felizes e felizes com conhecimento, não a felicidade da ignorância, do “não saber”, do “não conhecer as verdades ruins”, que podem ser boas, mas nos torna vulneráveis.
Mas de que grupo homogêneo estou tratando? Brasileiros. O fim ficou assim determinado: o país que queremos é X. O que a educação não está fazendo de forma científica sobre o assunto? A Educação do Hábito. Rio de Janeiro, Fevereiro de 2015. Mario Manhães Mosso
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