DO CORDEL PRA REDE: – Obras Selecionadas da Literatura de Cordel Brasileira – Volume IV – Uma Viagem ao Céu e outras histórias.

Por Leandro Gomes de Barros

Sobre o livro

Amostração

Sobre “do cordel pra rede”:

é uma compilação

de cantigas fabulosas

repletas de tradição,

pois tais poemas são hoje

patrimônio da nação.

Para fazer um cordel

arte que é simples e nobre

tenha uma ideia rica

e abuse da rima pobre

repita até acertar,

veja que logo descobre.

Um costume bem vezeiro

É fazer combinação

de palavras que se juntam

com igual terminação.

Ajudam o trovador

e tudo vira canção.

No cordel há quem defenda

um purismo exagerado

dizendo que não existe

cordel diferenciado

que não siga estritamente

as regras do cordelado.

Quero dizer que discordo

de exigir-se perfeição

quanto aos três fundamentos

rima, métrica, oração

todos eles importantes

mas nenhum deles prisão.

Porta rima com torta

Coração com oração

Chamam de rima perfeita

a pouca imaginação

Quanto mais ela for pobre

lhe geram satisfação.

Rima pobre, rima rica:

Pura classificação

No poema o que vale

É despertar emoção.

Simplicidade é nobreza

Humildade: erudição.

No coração do poeta

a paixão rima com dor

sorriso com alegria

caridade com amor

e o julgamento da arte

fique a cargo do leitor.

Mesmo na obra do mestre

conhecido por Leandro:

o primeiro sem segundo,

que nunca foi de meandro,

pé-quebrado é encontrado,

nem por isso era malandro.

Enclausurar a poesia

é como amarrar o vento

quem a tenta elitizar

não lembra do sofrimento

do cordel em sua origem

perseguido a todo intento.

Deixe o cantador ser livre

Verso é pássaro a voar

Pra verve não tem limite.

Se ele nasceu pra cantar

a palavra tem pousada

na alma que quer amar.

Agora, sobre os poemas

juntados neste volume

tem viagem até o céu

feita por um sem costume.

Saiu de lá abastado

mas voltou só com queixume.

Tem história de aventura

às margens do São Francisco

de um casal apaixonado

colocando a vida em risco

(não vou contar o final

a estrofe é só petisco).

Tem ode a Pernambuco

esse estado tão amado.

Tem poema de desforra

(em vingança foi usado)

e outras histórias boas.

Fique atualizado.

Falando-lhes seriamente,

cabe uma advertência:

os poemas são antigos

fica clara a divergência

e que expressões machistas

não têm a minha anuência.

Um exemplo desse fato

é o poema da mulher,

(o preconceito na época

não era coisa qualquer)

enaltece mais o homem,

coisa que a gente não quer.

Ao final tem um debate

alegre e divertido:

a disputa de um matuto

com um urbano atrevido,

que saiu desse combate

cabisbaixo e abatido.

Nossa prosa está boa

(– mas é verso, não é prosa!)

Vou parando por aqui.

Leitura mais prazerosa

é a que segue adiante

obra da mais valorosa.

(João Evódio Silva Cesário – organizador)

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