Sobre o livro
Esse texto é o Capítulo 22 “Selbstdenken” (Pensar por si mesmo), seções 263 até 278, de Parerga und Paralipomena (Obras Acessórias e Suplementos) volume 2, publicado em 1851 por Arthur Schopenhauer.
No capítulo 22, Schopenhauer distingue radicalmente pensar por si mesmo de simplesmente absorver pensamentos alheios. Pensar por si mesmo não é repetir doutrinas, confrontar autoridades ou manejar erudição livresca, mas produzir juízos que nascem da apreensão direta da coisa mesma.
O verdadeiro pensador é aquele cujo pensamento é imediato, autônomo e originário: ele não aceita nada por autoridade, só reconhece como válido aquilo que passou pelo crivo de sua própria inteligência.
Por isso, todos os grandes espíritos, apesar das diferenças de época e linguagem, convergem no essencial, não porque se copiem, mas porque veem o mesmo objeto a partir de pontos de vista próprios.
Schopenhauer opõe a esse pensador autônomo o filósofo livresco, que vive de segunda mão, substituindo o ato de pensar por leitura excessiva, citações e disputas eruditas.
Ler pode ser um substituto necessário do pensar, mas nunca seu equivalente: o pensamento verdadeiro não pode ser forçado, depende de uma disposição interior e de um encontro feliz entre estímulo externo e estado de espírito.
Quem lê demais atrofia a capacidade de ver por conta própria, acostuma-se a trilhar caminhos já batidos e perde o contato com a realidade viva, que é a fonte mais fecunda do pensar.
Pensar por si mesmo, portanto, é uma atividade rara, não inteiramente voluntária, que exige independência, silêncio interior e fidelidade à experiência própria, e constitui, para Schopenhauer, tanto a marca do filósofo autêntico quanto uma das formas mais altas de felicidade intelectual.
Sobre esta edição, tradução direta do alemão por Lucas Praxedes, do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2. Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses.
Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer, mas da tradução, tem o indicativo da “, NT” nos parênteses.
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