Sobre o livro
A mais sobrenatural de todas as experiências: ser gerado. Escolher o que viver, depois ser concebido, depois nascer. Quem pode se lembrar da mais numinosa e chocante experiência do ser humano?
A jornada da escolha de um nova vida e a subsequente estadia de 9 meses ao redor e no interior do “Grande Vaso” contado a partir de um adulto — e não um bebê.
Este adulto é uma alma paranoica, mas intelectual e muito pensante — que quanto mais perdido se vê nessa travessia sobrenatural que é o que acontece antes do nascimento — mais expõe, em confissões, todas as contradições poéticas, científicas, místicas e existenciais da sua mente-híbrida e neurodiversa.
Um romance literário que mistura ciência, mística (a experiência direta sem intermediários), arquétipos e as maravilhas da psique. Uma história que acontece bem no meio dos cosmos, mas também uma história muito terrena, comum, já que todos passamos por isso e esquecemos, pois nunca vemos nossa história como uma história galáctica — nós, cidadãos galácticos adentrando e vivendo na Terra.
TRECHOS:
“— E onde estou neste momento, então? Se não estamos mais no Vácuo, pois eu sinto que não estou lá. E se não estou dentro do… você sabe… dentro do… — Útero? — Isso. Não falei para não as assustar, mas essa palavra até me dá medo… seria possível ocorrer claustrofobia? — Ainda não.
Você está dentro do seu Merkabahzinho — diz Muriela, num gritinho; as mãos jogadas ao lado do corpo, fecham e abrem; ela deu até um pulinho. Ela continua: — E seu Merkabahzinho está por ali, do ladinho do… grande vaso. Não muito longe.”
…
“Quero perguntar mais, mas ela não deixa e sei que não valeria para nada. Eu acho que entendi. Começa a bater um frio ao redor, um frio até no pensamento. O que é que eu vou ver? Eu acho que é alguma coisa boa, mas… algo me diz que ao mesmo tempo, algo vai selar tudo.
Marta, por Escolha-Q, puxa meu Merkabahzinho como se puxa uma criança dentro de um brinquedo, um trenó; e não é totalmente fora de noção isso. Apaziguo e me deixo levar. Passamos por algo que parece uma cortina de tiras azuis, muito clarinha, e ali paramos. — Olhe, ajuste os olhos.
— Eu não tenho olhos. — Eu quis dizer, a atenção. Você sabe o que fazer.”
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