FUGA, DESTINO E OBSESSÃO: O Destino de Malak (Os Sheiks Livro 6)

Por Kayra Marck

Sobre o livro

Meu nome é Malak Madani, e nunca sonhei com palácios, sedas ou destinos dourados. Sonhar, para mim, sempre foi um luxo perigoso — desses que a vida cobra juros altos.

Ainda assim, é exatamente o destino (esse roteirista cruel, debochado e claramente mal-humorado) que decide me colocar à venda pelo meu próprio pai, embrulhada em promessas ocas de segurança e estabilidade, e me entregar ao harém do sultão Kalil como se eu fosse um item raro em um leilão de luxo.

Sou feita odalisca à força, prisioneira de um lugar onde tudo reluz demais e a liberdade simplesmente não está no catálogo. A opulência sufoca, os muros vigiam e os sorrisos são obrigatórios. Mas, se meu corpo está preso, minha mente não aceita ordens.

Enquanto abaixo os olhos quando exigem e sorrio quando mandam, eu planejo. Conto passos. Decoro horários. Imagino rotas. A fuga se torna meu único capricho — o tipo de luxo que não pode ser confiscado.

E eu consigo. Sozinha, apavorada e com o coração batendo como se quisesse pedir asilo fora do peito, eu corro pelas ruas caóticas de Qadar, convencida de que até o chão conspira contra mim. Cada sombra parece um guarda. Cada esquina, uma sentença.

Até que tropeço — porque, claro, até minha fuga precisa de um toque de ironia — nos braços errados. Ou certos. Amir Al Rashid Barak surge no meu caminho como um acidente elegante, daqueles que mudam tudo sem pedir licença.

Para sobreviver, Malak fica para trás. Eu viro Yasmin: uma mulher sem passado, sem família, apenas desempregada e desesperada o suficiente para soar convincente. Amir acredita.

E sua esposa, Samira — boa demais para esse mundo e perigosamente generosa — acolhe minha história com uma compaixão tão imediata que quase me desmonta. A bondade dela pesa mais do que qualquer ameaça, porque me faz sentir culpa. Eles não sabem que fugi de um harém.

Não sabem que um sultão não gosta de perder “propriedades”. E precisam continuar sem saber, porque essa ignorância é minha única armadura.

Graças a essa compaixão — e talvez a uma curiosidade que Amir nunca admite em voz alta, mas que insiste em morar em seu olhar — eu consigo um emprego temporário no palácio de Al Masirah, ajudando nos preparativos para o casamento do príncipe herdeiro Kamal Al Rashid Barak.

Um casamento impecável, político, tradicional. Uma noiva perfeita para um homem moldado para o trono, cuja vida parece seguir um roteiro tão ensaiado que chega a dar inveja… ou claustrofobia. Meu plano é simples: ser invisível. Não errar. Não chamar atenção. Não olhar demais.

Ser a sombra eficiente que ninguém nota.

Naturalmente, o destino acha isso ofensivo.

Kamal me vê. De verdade. E isso muda tudo — não com explosões, mas como um terremoto silencioso, daqueles que racham o chão antes de alguém perceber.

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