A Mola e o Diapasão

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Comédia em 4 atos, cenas domésticas de uma vida deturpada e burguesa até no centro da alma. Trata-se de uma comédia, portanto, de costumes.

Da mesma maneira que o romancista tratou em seus livros anteriores, aqui existe essa relação humana e o meio ambiente está recebendo, diante de todos os entraves e percalços, o desafio de ser olhado de forma frontal.

A peça é relativamente longa e gira de maneira circular, atingindo cada personagem de forma frontal. Com isso, exibe seus sofrimentos, analisa suas tragédias e seus remorsos, suas culpas, suas deformidades.

Trata-se de uma quase comédia que observa, mormente analisa, as deturpações de caráter que são bastante aceitáveis numa sociedade de consumo chamada de normal. Ocorre que, ao se olhar com mais parcimônia, esse mundo se delata a cada frase, a cada passo.

As debilidades do espírito de cada personagem aparecem, qual ponta de iceberg. Depois, quando se progride na trama, na densidade do assunto, aparece a base da mesma rocha e tudo fica mais claro.

Essa peça jamais foi encenada e o trabalho sobre ela merece um desafio grande. Porque, verdade seja apurada enquanto mais cedo está, a peça não trata simplesmente da dramaturgia. Vem a calhar como um modelo de texto criado por um artesão da palavra.

E da sensibilidade, por isso mesmo, quando perscrutada como uma prosa de natureza literária superior, quem o fez não está a se enganar. Então, é deveras uma sutileza grande que se tem que enfrentar.

Para se ter uma ideia máxima sobre esse conjunto de obras de Henriques, agora que envereda para a dramaturgia, seria necessário que a peça fosse encenada. E, teríamos a projeção de um arranjo mais conveniente, mais prático e menos teórico sobre o que se vai compor e recriar.

Aliás, diga-se de passagem, alguns de seus romances já apontavam na direção do teatro, da dramaturgia. O exemplo mais claro fica por conta do Bar do Birota. Um livro já completamente arrumado para ser encenado em teatro, quem sabe adaptado para as linhas de imagem, para o cinema.

Essa também é a opinião do autor. Diz Henriques que sempre que dá uma espiada no livro Bar do Birota, fica-lhe esta sensação de que o bar é um palco com todos os atores em ciranda e encenação de detalhes.

Esse pode ter sido o ponto de partida para a criação dessas peças de dramaturgia que o romancista passou a elaborar depois de escrever um número grande de romances. Mas isso era já esperado.

Um escritor com essa capacidade de produção, com essa amplitude de visão, teria mesmo que elaborar essa tentativa de levara avante, por outros meios e outros métodos, a composição de um gênero que lhe desse a salvaguarda da coisa quase imediata.

Pois que, segundo a nossa visão, quando uma peça é devidamente encenada, todo o seu conteúdo é um explosivo demonstrativo da Arte em si mesma, aquela que tem a face mais voltada para o público. Esse contato direto é a fascinação que muitos escritores procuram.

É por tal razão, sem a menor dúvida, que o Bar do Birota faz esse arremesso inicial, propõe a instalação do leitor num palco imaginário – mas que deveras está lá e pode ser quase palpável -, com atores que giram numa situação de esboço comum, trivial, das situações que envolvem a vida de um bar e seus frequentadores assíduos, aquelas que acontecem nos fins de tarde em qualquer cidade desse país varonil, onde a mortadela, a pinga e um cigarro aceso – oxalá uma cerveja – traduzem a alegria dos confederados.

Então, quando surge A Mola e o Diapasão, certeza grande que novas peças de dramaturgia iam se acelerar na produção de Humberto Henriques, como não demorou a surgir A Casa do Faisão Dourado e O Umbigo de J. J. Rousseau. Obras-primas que merecem uma revisão meticulosa e detalhada, em toda a sua consonância diante a possibilidade de atuação em ribalta.

A banda literária dessas obras é fortíssima, como mesmo seria de se esperar de um poeta e romancista que sequer estreou em ribaltas. De qualquer maneira, a peça inteira retrata com facilidade aquilo que pro

Baixe esta página em PDF para ler quando quiser, mesmo offline.

📄 Salvar PDF

Avaliações dos leitores

Descubra as opiniões de outros leitores, explore avaliações detalhadas e veja se este livro realmente vale a pena para você, com base em experiências reais de quem já leu e compartilhou sua visão sobre a obra.

⭐ Reviews dos leitores