Sobre o livro
Cobrindo o período que vai de 1860 a 1896, os famosos registros dos irmãos Goncourt fornecem uma inestimável crônica dos bastidores dos círculos literários parisienses em uma das épocas mais férteis da história da literatura.
Foi na qualidade de observadores e participantes do mundo das letras que se originou a obra-prima dos irmãos Edmond e Jules de Goncourt, Diário – Memórias da vida literária.
Esta edição traz uma seleção dos melhores trechos da obra, com tradução, organização, notas e introdução de Jorge Bastos. O Diário, assim como toda a obra dos irmãos, foi escrito em conjunto até a morte de Jules, vitimado pela sífilis.
“É a nossa confissão de cada noite”, afirma Edmond no prefácio. Por tristeza e solidão, Edmond chegou a pensar em interrompê-lo, mas retomou a escrita por considerar que ambos formavam “um único eu”, de personalidades diferentes, mas com a mesma visão do mundo.
“Nosso esforço foi o de tentar levar nossos contemporâneos à posteridade”, informa Edmond. Um esforço muito bem-sucedido, como o passar do tempo mostrou.
Ao Diário comparecem, em retratos muitas vezes íntimos, os representantes de uma das épocas mais férteis da história da literatura: Gustave Flaubert, Victor Hugo, Théophile Gautier, Alexandre Dumas pai e filho, Charles Baudelaire, Émile Zola, Guy de Maupassant, Alphonse Daudet e Stéphane Mallarmé, além do russo Ivan Turguêniev, para citar alguns dos mais conhecidos.
Estão presentes ainda figuras de outras áreas, como o pintor Edgar Degas e o neurologista Jean-Martin Charcot, mestre de Sigmund Freud.
Eles surgem à vontade e com a língua solta em jantares no restaurante Magny e encontros na casa da princesa Mathilde, prima do imperador Napoleão III, alternadamente presidente e imperador da França.
Como testemunhas privilegiadas, os irmãos Goncourt fornecem uma inestimável crônica das discussões estéticas e literárias, da vida mundana de Paris, dos hábitos e princípios da intelectualidade da época, dos prostíbulos e bordéis, da chocante misoginia e da visão da elite sobre os acontecimentos políticos de uma época de revoluções e descobertas – o fonógrafo, a fotografia instantânea e a máquina de escrever provocam espanto e encantamento nos autores.
Nove volumes dos diários foram publicados em vida por Edmond, que pretendeu divulgar apenas as “verdades agradáveis”. Mesmo assim, amigos dos Goncourt protestaram contra menções a seus nomes que julgaram ofensivas. A fofoca e a maledicência encontram terreno fértil nas anotações do Diário, como ficou mais do que evidente quando elas vieram a público na íntegra.
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