Sobre o livro
Na Zona Norte de São Paulo, há lugares onde a madrugada nunca termina. Entre o cheiro de cerveja quente, cachaça com groselha e o barulho do metrô cortando a noite, existia um lugar conhecido por todos e compreendido por poucos: o Mata Fome — também chamado de Bar do Bigode.
Ali, nas madrugadas sem fim dos anos 90, se cruzavam trabalhadores exaustos, malandros à beira do colapso, policiais, bêbados e sonhadores. Era o ponto onde tudo costumava terminar — e onde, às vezes, começava o que nunca deveria ter começado.
O sanduíche famoso, o churrasco acebolado e a chapa marcada pelo tempo escondiam mais do que sabor: carregavam segredos, dívidas e pequenas condenações diárias. Entre goles de bombeirinho e cigarros apagados na beira do balcão, a Zona Norte contava suas tragédias em silêncio.
Sandro, sempre à beira do descontrole. Bigode, dono de um mau humor constante e de uma chapa que nunca esfriava. E outros personagens presos a um ciclo que insiste em se repetir.
MATA FOME é uma crônica sombria da vida urbana, onde a rotina corrói, o sonho apodrece e a sobrevivência cobra um preço alto demais para quem insiste em ficar. Não é uma história sobre comida ou boemia. É sobre fome — de saída, de dignidade e de futuro.
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