Vamos abrir o sertão: histórias reais da migração para Rondônia
Por Avacir Gomes dos Santos SilvaSobre o livro
O Rio Machado é de uma beleza estonteante. Suas águas turvas indicam que ele ainda está em formação. Os rios são imagens poéticas. Eles ilustram momentos de transformações essenciais. Heráclito, no século VI a.C., já afirmava: “Nunca nos banhamos duas vezes na mesma corrente de água”.
Aqueles que, em meados de 1970 e início de 1980, migraram para as terras de Rondônia, transformaram suas vidas ao atravessarem o leito caudaloso do “Machadão”. Os rios são as maiores riquezas naturais de Rondônia.
Para os nordestinos, retirantes da seca, e os sulistas, fugitivos das geadas, a travessia do Machado foi o marco divisor de suas histórias de vida: o antes e o agora. O estar no meio do rio, de balsa ou canoa, era o espaço limite entre o regressar à terra natal ou se aventurar rumo ao desconhecido.
Eles decidiram atravessar o rio “vermelho”.
Ao romperem a linha tênue entre passado e futuro, carregados de muitos cacaios e muitos e muitos sonhos, as pessoas que migraram para Rondônia construíram uma nova narrativa para as suas vidas: conquistaram o tão sonhado pedaço de terra, formaram suas famílias e se estabilizaram financeiramente.
Hoje, carregam no coração a certeza de que os sacrifícios foram válidos. As águas dos rios são elementos encantadores, como o são, em igual ou maior medida, as histórias de vida, reunidas neste livro, de mulheres e homens que migraram para Rondônia. Os migrantes desafiaram o rio.
As narrativas por eles contadas nos ajudam a desvendar os rios e a pessoas.
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