O DOCE UIVO DOS VENTOS

Por MARCOS AVELINO MARTINS

Sobre o livro

124º livro do autor das séries “OLYMPUS” (em 14 volumes, com 300 poemas em cada um) e “EROTIQUE” (em 10 volumes, com 50 poemas em cada um).

Alguns trechos:

“A vida voava, vivaz, em alguma senda,

No torvelinho dos meus pensamentos,

A ouvirem tua suave voz que veio como uma oferenda,

E que acalmava o doce uivo dos ventos…”

“E então, em um dia qualquer,

Li um obituário em um canto do jornal,

E nele estava o nome dela,

Junto com uma foto,

Mas tão diferente do que eu me lembrava

Que levei um choque duplo,”

“Diz-me por favor qual é a senha

Do cofre onde escondeste o amor,

Não posso crer que esse corpo que de mim desdenha

Não seja o mesmo que me amou com tanto furor!”

“Senão o que me restará

Ao final das horas

Que o destino reservou a nós dois

Serão apenas tristes lembranças

De mim mesmo…”

“Em algum dia do futuro

Do qual não me lembro,

Você me encontrou,

Perdido nas dobras do espaço-tempo,

Entre nuvens de mercúrio

E oceanos púrpura,

Num planeta que nem explorei,

Porque você fez minha nave desaparecer,”

“Entrei num jogo

Por amar-te tanto,

Brinquei com fogo

E acabou o encanto!”

“Ao final da minha última aventura,

As lágrimas que pela minha face descem,

Ocultas do mundo pela noite escura,

São companhias de dores que sempre crescem!”

“Deixa que tua carne tépida

Passe comigo uma noite intrépida,

Sem censura

Nem frescura,

Em que nos amemos

E mutuamente exploremos

Todos os detalhes ocultos

Em doces brincadeiras de adultos,”

“Teu coração é um planeta inóspito,

Devastado por tempestades cósmicas,

Onde nada sobrevive,

Exceto ódio e desilusão.

Nesse ambiente hostil,

Ousei tentar pousar minha nave,

Mas foi derrubada em pleno voo,

Sem olhares sobreviventes.”

“Não fuja,

Em vez disto, ruja

Como uma leoa no cio,

Estenda as suas garras,

Solte-se de suas amarras,

Acenda o meu pavio,

Roucamente gema,

Como um personagem de um poema,”

“E o seu cheiro entranhou-se em mim,

Assim como o toque de sua pele de seda,

Lembranças eternizadas

Daquela noite tão especial,

Da qual nunca mais me esqueci…”

“Observo com assombro,

Mesmo que aos poucos desabe,

Enquanto você chora em meu ombro

A dor que em seu peito não cabe…”

“Em sua face, deposito um beijo suave,

Mas nossos lábios subitamente se atracam,

No hangar de seu corpo pouso minha nave,

Enquanto nossos desejos mútuos se aplacam…”

“E o fim dessa doce magia que nos une, Correntes elétricas percorrendo nossos corpos,

Fagulhas emergindo de nossas bocas,

Quando se exploram vorazmente,

Celebrando o encantamento que nos une,

Nessa comunhão de almas que chamam por aí de beijo…”

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