Sobre o livro
Um desfile entre absurdos é esta pálida carcaça. Carcaça esta que seria o mesmo cadáver insepulto que procria, de Pessoa? Mesmo dizendo exatamente quem somos nunca é suficiente.
E por não ser, vamos indo e descobrindo pelo caminho tudo o que nos tira a inocência, a ideia de completude, de fixidez, de eternidade…descobrimos que as relações morrem,.
Não só a relação de um ser para outro, mas também a relação de uma árvore que habita na memória diferente daquele que era pequeno na infância e que também perdeu a inocência e conquistou a culpa.
A relação do homem e seu lugar de ser que vai sendo modicada a cada ano com a surpresa da falta de chuva, com a esperança de não morrer de tédio. Morre a eternidade das primeiras relações que acabam.
Morremos para aquela pessoa amada e somos jogados em outra configuração de mundo, tendo que conquistar outro modo de ser, já mais velho, mais morto e com as células dos cabelos também já mortas. Morre-se tudo. Só não morre a carcaça, pálida.
Este livro nos ensina a morrer a cada vez em seus versos selvagens e doces, são quadros com a mesma atmosfera. Angústia pouca é bobagem, mas em sua conquista há uma voz sufocada pela nossa própria mão enrugada e fraca que dorme e acorda no seu tempo, e há quem leve uma existência inteira sem ouvi-la!
Ela diz: Há vida.
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