Garavato de Gravata

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Com a invenção de um nome assim para um livro, surge a ideia de um tema antigo, aquele que em passado era chamado de psicodélico. Uma palavra, um adjetivo em desuso poque os jovens já inventaram mil outros que entram na posição desse aí. Garavato de Gravata.

Entretanto, na nossa opinião, encarregados que somos de fazer a apresentação desse livro de poesias, o nome sempre urge na imaginação como uma coisa distinta. A princípio cri que era um título muito feio. Isso porque soava como um palavrão, também dos antigos.

Depois, fui ler o livro para entender o seu conteúdo e entendi que deveras esse Garavato de Gravata não devia mesmo ser substituído o extirpado.

Quando penso nas alegorias que a poesia pode fornecer e sempre fornece ao leitor que dela se embebe, ajuízo os termos e as palavras que são consumidas dentro de um compêndio qualquer. Oxalá seja a minha experiência com a capa.

A capa é um remoinho gigantesco que agita a densidade de um livro que se vai ler. Alguma coisa assim. E o que está escrito na capa é outra peripécia a ser considerada. Um garavato já é um problema inicial.

Nome estranho. Por tal razão é um problema inicial. Mas um garavato é um objeto como outro qualquer, uma cosia com nome esquisito. Tão estranho que quase nunca é usado. Garavato é aquele pau longo com um cesto na ponta, comumente usado para se colher as frutas mais altas de uma árvore qualquer.

Um abacateiro, por exemplo. É um artifício muito antigo que tem uma utilidade extrema porque não deixa que as frutas sejam machucadas no ato da colheita. Assim, são depositadas com carinho e muita afeição por quem colhe dentro da cesta. Esse nome é extremamente desconhecido.

Em Minas Gerais e Goiás ele não é usado nunca e é substituído pelo famoso ganho. Quando não há gancho, usava a vara de bambu. O gancho sempre colhe com eficácia, mas se não tem um colheitador lá embaixo para aparar a fruta, ela se despedaça se for do grupo das mais frágeis.

A vara de Garavato é aquele pau longo com um cesto na ponta, comumente usado para se colher as frutas mais altas de uma árvore qualquer. Um abacateiro, por exemplo.

bambu também é bom argumento, só que tem a consideração ínfima de cutucar, exasperar, machucar ou destruir aquilo que se propõe a cutucar. É por isso mesmo e por tantas razões que o garavato é maioral e insubstituível. Grande invenção.

Garavato é nome quase nunca usado pela turba corrente, assim como se comentou. Por outro lado, meter-se uma gravata a um garavato é uma tarefa sublime ou simplesmente absurda. Porém, se ninguém sabe o que é um garavato, imaginar uma coisa não conhecida de gravata é pior ainda.

É por isso que se desaconselha, por esse lado, o título do livro. É evidente que esta é uma observação de cunho comercial e o poeta foi avisado disso. Deu de ombros e ordenou que se mantivesse o título da forma exata como está. Isso vai despertar a curiosidade de alguém! Ele disse assim.

Porém, um autor com mais de 360 livros publicados pode e deve deveras dar de ombros para uma situação assim. Tanto faz como tanto fez. Esses 360 livros estão todos publicados na amazona.com/kindle e podem ser desfrutados no momento presente em toda a sua complexidade e atitude poética.

Uma das maiores cargas de produção literária desse planeta. E de altíssima qualidade.

Então, aí vem a questão surrealista que desaba sobre o titulo desse compendio exótico. Meter uma gravata numa vara com um certo na ponta, isso seria um desenho exemplar feito pelas mãos de Salvador Dali. E tocar adiante porque é preciso falar um pouco dessa poesia que está metida nesse livro.

Um livro moderno, sintético, excepcional. Não sai da minha cabeça a banda heterodoxa dessa impugnação de palavras. Um garavato já é inadimplente. Imagine-se um de gravata. Um que está vestido a rigor.

O que se falava, aqui as poesias são de lavra moderna, da fase intermediária de criação de Henriques. Não há arroubos de poemas grandes e cada poesia ocupa uma única página no livro, sempre havendo a tendência

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