Sobre o livro
Aparentemente era um contrassenso admitir que o maior sentido da vida do homem nesta terra fosse a vida eterna. Contudo, Isaías partia sempre daquela premissa básica: alcançar a Eternidade. Bem… todo homem de juízo pensava nisso. Estava voltando às origens em seu espírito. Ele era Deus…
Ele era o tempo diluído em meu próprio sangue enquanto minha pele enrugava e eu diminuía de tamanho… Ultimamente pensava com afinco na natureza da morte. Estava envelhecendo e seu coração, envenenado pela juventude, recusava-se a acreditar que estivesse perdendo o vigor…
A natureza do tempo, implacável, castigava seu corpo inerte. Isaías considerava quanto tempo ainda teria, perguntando-se a cada manhã ao abrir os olhos, enquanto observava o rosto da Profetiza deitada a seu lado… Ela era tão forte e tão meiga, como era possível?
Contemplativo, perguntava-se o motivo pelo qual Deus decidira fazer com que os seres humanos ficassem encolhidos. O corpo dele, um dia, seria por um dos seus filhos colocado ao sol para aquecê- lo e, depois, dali o retirassem…
Talvez aquele mesmo corpo fosse depois encontrado em silêncio dos seus fluxos sanguíneos, já sem temperatura, dando primeiro lugar ao esfriamento pelos pés, mãos e face, para depois se estender ao peito, dorso, ventre, axila e pescoço…
Os médicos do Palácio Real diziam que os órgãos abdominais profundos conservavam calor por mais tempo, às vezes até por 24 horas. O calor me abandonaria e também os líquidos se evaporariam do meu corpo desidratado. Meus olhos ficariam dissecados.
Minha pele ficaria parecida com os pergaminhos e, como todo cadáver, passaria a ter aquelas manchas azul-acinzentadas, formadas pelo sangue que desce e se acumula em certas partes do corpo.
Relaxados e flácidos ficariam os meus músculos e, algum tempo depois, contraídos, viriam a dar ao meu corpo aquele aspecto de enrijecimento cadavérico… Enfim… qual o sentido de uma vida inteira restar dissecada? Onde o mistério?
Ele queria experimentar a salvação de Deus em vida e também depois da sua carne… daquela forma como Amóz, seu pai, havia lhe ensinado. Não falava a respeito daquilo com os sacerdotes, mas apenas com a Profetiza… ela respondia que Ele deveria abrir o coração para Deus.
Ele não entendia, mas o mundo dela parecia repleto de Paz. Era um tanto complicado receber aquela promessa porque ele, um jovem menino, ainda não estava preparado para compreender as palavras de seu pai: “A Eternidade era a recompensa dos santos”.
Então, a partir do momento em que tivera a visão, o Profeta Isaías compreendeu que apenas conseguiria chegar a Nova Jerusalém através do “broto do Renovo de vida”.
Assim é que o Messias se tornaria, não apenas para o povo hebreu, mas também para toda a humanidade, o único caminho para o descanso na Eternidade e o único meio de alcançá-La.
A partir daquele dia, o plano de salvação do homem, ainda não totalmente compreendido por Isaías, passou a ser obsessivamente perseguido, como uma ideia fixa. Vivia caçando nas Escrituras Sagradas pistas e mais pistas sobre o advento do Messias. E a Profetiza se deleitava a cada nova descoberta…
“Pois o Senhor era justo e amava a justiça; os retos verão a sua face” (Salmos 11:7). Porque apenas o reto contemplaria a face de Deus, não havia outro meio possível do homem encontrar-se com Ele, se não por intermédio de Cristo, o Messias, pois onde habitará a retidão nesse corpo corruptível?
Isaías era obrigado a reconhecer todos os dias que era pecador… A brasa viva retirada pelo Serafim, com um tenaz do Altar do Senhor, a mesma que lhe tocara os lábios ainda queimava em seu coração (Isaías 6:6).
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