Sobre o livro
Acalanto é uma história sobre bicho papão, nostalgia, medos, infância, memórias enterradas, familiares abusivos. É uma leitura em que nem a luz do dia consegue afastar o que nos assombra todos os dias.
Na zona sul de Teresina, Lúcia já não sabe mais o que fazer, cansada, está quase em casa, tinha ido pegar Pedro na escola. Abre a porta. Ainda estavam se acostumando à nova rotina. Tinha uns dois meses que se mudaram para essa casa. Até quando conseguiriam pagar o aluguel?
Agora, Lúcia só pensa em almoçar e descansar ao menos um pouco, mas, o cheiro de queimado empesteava a sala. Tava tudo branco de fumaça. Onde o Jorge se meteu? O marido tinha saído e deixado Ana tomando conta do fogão. Era inacreditável! Como é que ele deixa uma criança de seis anos sozinha em casa e com o fogo ligado?
Isso é só uma pequena fagulha para o que ainda estava por vir, ou melhor, para o que já estava escondido por ali, pela casa. No decorrer dos dias e em meio aos afazeres diários, Lúcia vê as crianças brincando com o que acredita ser apenas um amigo imaginário. Ela não poderia estar mais enganada.
Vozes estranhas e vultos começam a aparecer pelos quartos, e alguma coisa corre do lado de fora. Chega a um momento em que não adianta mais trancar as portas. A casa aos poucos é tomada. O jeito é enfrentar aquela coisa.
Como manter as crianças a salvo no meio disso tudo?
Se quiser se arriscar por essas páginas: puxe o pé para dentro das cobertas, deixe uma luz acesa. Debaixo da cama é onde estas coisas se criam e se escondem, elas começam feito um ponto – pequeno e inofensivo –, no entanto, logo ocupam todo o quarto e vão se espremendo pela porta para tomar o resto da casa.
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