O abraço do abismo

Por Jéssica Limberti

Sobre o livro

Em meio ao ar gélido da sombria Londres o vento soprava recordações penosas e a ira a se alastrar aquecia o corpo e congelava a alma. Meu olhar brilhava acorrentado sobre a Lua e a minha mente ou coração também acorrentados se enforcavam desentindos perante o passado.

A penosa desolação do coração partido me assombrava como um espírito obsessor e invisível. Um demônio faminto do qual insistia em saborear lentamente o meu coração com os seus dentes afiados.

Em minha ira voltei minhas mãos em torno do pescoço de tal ousadia pois ninguém e nada determinaria o meu destino! Se ainda que o meu coração por três espadas estivesse fardado nenhum passado ditaria os meus passos, a escolha é toda minha e ninguém a tomaria de mim.

Com lágrimas ou gargalhadas eu arcaria com as minhas escolhas. Todos nós inevitavelmente vamos arcar com elas. Na noite predestinada dois corações acorrentados a escuridão da solidão se encontram e sorriem perante um ao outro como almas antigas.

Toda a escuridão contemplava a linda aurora que lentamente dava vida a Luz. Vanessa se acorrentou ao olhar sedutor e regado de mistérios do senhor Mefistófeles. Sua presença marcante, seu sorriso confiante.. por um único instante o tempo parou, e o amor como o néctar de uma flor, docemente floresceu.

Ambos os corações se encontraram e naquele instante desejaram.. um ao outro. — Siga ao meu lado Vanessa, e eu lhe mostrarei os prazeres e maravilhas do mundo. Ao meu lado a Vida te aguarda. Veja a sua beleza e toque ardentemente a sua gentileza.

Suavemente a mão de Mefistófeles se ergue até mim com confiança e regada da sua própria verdade. Por poucos segundos meu olhar permaneceu sobre ela mas o seu olhar era a verdadeira e mais doce armadilha.

Ali residia os seus segredos assim como todo o seu ardor que implorava em aquecer o meu corpo gélido. Ou talvez fosse o meu próprio que gritava e implorava para ser aquecido.

O tempo parou e a aurora mais bela e verdadeira se ergueu perante os céus trazendo luz ao caminho antes não visto escondido pela escuridão mais profunda. A bela aurora se tornou a verdade e dois caminhos opostos. Duas escolhas a serem feitas.

Uma gritava ardentemente pelo momento agora e se deslumbrava com os passos que se seguiriam ao futuro. Mas a outra, a mais sensata, permanecia em seu silêncio pois a sua verdade sem necessidade de ser dita era muito bem sentida.

O brilho das estrelas se fortificaram se unindo a aurora e afirmando com a volta do tempo que não mais havia uma escolha. — O senhor não pode me dar o que eu quero. Adeus Mefistófeles! Meu olhar sem recusa desviou dos seus, meu corpo não mais ao seu lado voltou a congelar.

A cada passo mais distante o sussurro que ecoava da masmorra em sua mais plena certeza dizia em minha mente para retroceder e não mais fugir. Sua euforia almejava as descobertas do desconhecido e a própria coragem.

Mas a voz superior com a plena certeza do seu próprio caminho e da sua covardia junto as suas limitações, não ousava.

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