Sobre o livro
Vinícius sempre foi o cara que entra em qualquer sala como se o lugar tivesse sido montado para ele, CEO carismático, bom de negociação, mestre em sustentar silêncios constrangedores sem piscar, desses que parecem ter o mundo inteiro sob controle, até o exato momento em que Lurdinha aparece e prova, com um sorriso e um batom vermelho, que controle é só uma ilusão bem vestida.
Ela não chega pedindo licença, chega ocupando espaço, rindo alto, falando o que pensa, bagunçando a rotina dele com a naturalidade de quem nunca teve medo de viver, e o que nasce entre os dois não é aquele amor cinematográfico que explode no primeiro olhar, mas algo bem mais perigoso, um vínculo que se constrói no cotidiano, na parceria, nas conversas atravessadas pela cozinha, na sensação desconcertante de finalmente ser visto sem armadura, até virar casa, virar hábito, virar aquele tipo de amor que a gente só percebe o tamanho quando já está morando dentro.
Só que nem todo amor bonito sabe andar em linha reta, e o deles tropeça feio.
Entre decisões tomadas no impulso, silêncios mal colocados, orgulho vestido de maturidade e expectativas que nenhum dos dois conseguiu dizer em voz alta no momento certo, o que era abrigo vira ruído.
Lurdinha, do jeito que sempre foi, não fica parada olhando o chão, ela junta os cacos, atravessa fronteiras, transforma dor em ambição, ambição em conquista, enquanto Vinícius fica preso no próprio ego, lidando com aquilo que mais o apavora, a ausência, o arrependimento e a certeza nada elegante de que perdeu a única mulher capaz de bagunçar sua ordem interna e, ainda assim, fazer tudo parecer melhor.
É ali que ele enlouquece de amor, não daquele jeito bonito de filme, mas do jeito real, caótico, humano, rindo sozinho de lembranças, brigando com o passado e entendendo tarde demais o valor do que tinha.
Quando um convite inesperado cruza o oceano e cai nas mãos de Vinícius, acompanhado de um bilhete escrito à mão, carregado de memória, ironia e sentimento mal resolvido, o passado não bate à porta, ele arromba.
O que parecia duvido se revela em esperança, e entre planos improvisados, amigos tentando ser a voz da razão e o caos tomando conta, Vinícius entende que amar Lurdinha nunca foi sobre posse, controle ou ego ferido, mas sobre coragem, aquela coragem meio inconsequente de ir atrás, de se expor, de pedir sem garantias, de esperar sem promessas e, se for preciso, de aceitar que nem todo amor volta do mesmo jeito, mas ainda assim merece cada passo dado em sua direção.
A história de Vinícius e Lurdinha é sobre desencontros barulhentos, perdas que amadurecem à força, risos fora de hora e a pergunta que insiste em não calar quando tudo parece decidido: e se ainda der tempo? Porque alguns amores não acabam, só fazem bagunça suficiente até a gente entender que, às vezes, atravessar o mundo é o mínimo.
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