Sobre o livro
Beatriz tem nove anos e o hábito ruim de não olhar para onde anda.
É por isso que, numa tarde comum de outono, ela atravessa sem querer uma fronteira que ninguém mais no vilarejo consegue ver — o Véu, uma membrana invisível entre o mundo de sempre e algo muito mais antigo, onde as pedras parecem respirar e o ar tem uma qualidade de escuta que ela nunca sentiu antes.
Do outro lado, um falcão desce do céu em espiral. Suas penas não escolhem uma cor — brancas e douradas ao mesmo tempo, mudando com a luz como se cada uma guardasse uma chama própria. Seus olhos têm profundidade demais para um pássaro. E sua voz, quando abre o bico, é vasta como o interior de uma catedral.
Ele não veio por Beatriz. Veio por Ana — a jovem do vilarejo com o dom estranho de fazer as coisas crescerem onde passa. Mas Beatriz é a única que está dentro do Véu. A única que vê. A única que ouve.
Enquanto tenta entender o que está acontecendo, ela vai recolhendo objetos pelo caminho — um graveto, uma pedra de afiar, lenha, uma faca, uma pena impossível. Objetos comuns, com funções comuns. Mas cada um carrega gravada uma palavra em latim.
E quando Beatriz, no final, reúne os dez objetos e lê as palavras na ordem, elas formam uma frase que nomeia o que ela acabou de testemunhar — um dos momentos mais importantes da história do mundo, disfarçado numa tarde de outono numa praça comum.
O Véu e o Falcão é o primeiro de vinte contos fantásticos que escondem, dentro de aventuras cheias de mistério e descoberta, os grandes mistérios do Rosário. Para crianças que gostam de mundos com camadas — e para adultos que ainda se lembram de como é descobrir que o mundo tem mais do que parece.
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