A Menina da Vila das Graças: E suas poesias mirabolantes
Por Silvinha SimõesSobre o livro
Poesia é um fenômeno misterioso. Julgá-la boa ou ruim é uma atitude pretensiosa. Convencionou-se ver o poeta como cantor da penumbra e da amargura. O desencanto é a sua tônica.
Mas uma coisa é inegável: a arte provoca choque, Ao me deparar-me com este conjunto, senti o inesgotável da poesia, a quebra do convencional. O que senti envergonhou-me a princípio: redescobri o otimismo. Coisa estranha, como choca!
A poesia do dia, do sol, da energia yang: “…e a noite escura só será bem vinda/ se com ela resplandecer a lua ladra de luz/ esperança eterna do nascer do rei…” Os afoitos irão bradar o corriqueiro do tema para justificar suas superficialidades. Pobres falaciosos!
Até que teria algum sentido, estamos, hoje, envolvidos numa onda de mudanças que aterroriza o mundo. Mas a arte não é mero reflexo. Nas mãos e nos íntimos dos artistas, ela antecipa. Vivemos uma economia desestruturada de corrupção, violência, espíritos em frangalhos, arte do abismo, caos.
Na contra mão,a Sílvia, a sua poesia, a sua luz, o seu otimismo. Sempre cantando “Pra lua nua” que se apaixonou pelo “viajor desgarrado” e “Inventaram o dia”.
Aqueles que exigem pouco da poesia se transportam para ela e estacionam na sua superfície, não levam as suas almas, não enxergam a alma do poeta. Que pena! Há brilhantes fabulosos! Brilha, Sílvia!
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