O ESTADOCOMO EMPREGADORDE ÚLTIMA INSTÂNCIA: Um Programa que Visa Eliminar o Desemprego Involuntário das Economias

Por Zoraide Bezerra Gomes

Sobre o livro

Este livro se fundamenta na visão pós-keynesiana de Minsky (1986) e Wray (2003) acerca da política mais adequada para combater o desemprego involuntário das economias sem desestabilizá-las, seja este desemprego originado por motivos estruturais ou conjunturais, como crises financeiras.

Objetiva-se apresentar as propriedades do programa Empregador de Última Instância (ELR, sigla do termo em inglês “Employer of Last Resort”), desenvolvido por tais economistas, que o tornam capaz de promover uma total eliminação do desemprego involuntário.

No estágio atual da pesquisa, não foram encontrados empecilhos teóricos decisivos que invalidem a hipótese de que o programa poderia eliminar totalmente o desemprego involuntário das economias capitalistas, até mesmo o de ordem estrutural, sem desestabilizá-las.

Evidentemente, a implantação do programa seria mais complicada nas economias periféricas, devido à restrição do balanço de pagamentos, à influência que mudanças na taxa de câmbio nominal tem na dinâmica da inflação dessas economias e à situação fiscal menos favorável.

Contudo, se o programa for devidamente adaptado às especificidades socioeconômicas desses países e implantado gradativamente, não parece haver indícios de que geraria instabilidade econômica.

Este livro também compara as propriedades do programa com as propriedades das Políticas Monetárias e Fiscais (PMFs) a fim de mostrar porque o ELR parece mais eficiente do que essas políticas para combater o desemprego involuntário gerado por problemas conjunturais, como crises financeiras.

Diante das limitações das PMFs, apresentou-se o mecanismo do ELR de combate ao desemprego involuntário: em tempos de crise, o programa ELR absorveria instantaneamente a mão-de-obra demitida do setor privado e funcionaria como um forte estabilizador fiscal automático.

Constatou-se, pois, que a implantação adequada do ELR não parece causar instabilidade nas economias e que os seus benefícios não são apenas sociais, mas também econômicos.

Obviamente, é importante reconhecer que existem ainda muitos questionamentos a serem respondidos acerca da viabilidade econômica da implantação do programa, principalmente, em economias menos desenvolvidas.

Além disso, os argumentos teóricos podem não ser suficientes para convencer os formuladores de políticas econômicas de que, assim como no caso estadunidense – de acordo com as simulações realizadas por Fullwiler (2005) – o programa não causaria instabilidade econômica.

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