Sobre o livro
É dispensável dizer que parte significativa do que é hoje a cultura brasileira, melhor, do que é hoje o Brasil foi construída por negros e mestiços.
É igualmente dispensável asseverar que é redutor pensarmos a nossa história e os desdobramentos futuros da nossa sociedade sem uma reflexão apurada sobre o significado desse contributo.
Não é menos verdade, contudo, que quando buscamos empreender essa reflexão, corremos sempre o risco de contaminá-la com uma série de noções prévias acerca dos indivíduos de raça negra, noções que há muito se instalaram na cultura nacional e que, frequentemente, sem nos apercebermos, se fazem presentes no seio das nossas elaborações.
A “mulata faceira”, o “negro servil”, o “mulato indolente” e outros tantos construtos, quer queiramos quer não, ainda marcam presença no imaginário do brasileiro.
A crítica e substituição desses construtos passam, sem dúvida, por um conhecimento mais aprofundado sobre o modo como eles foram sendo forjados no decorrer da nossa história.
Ao promover um mapeamento dos diversos “tipos negros” presentes em alguns textos escritos ao longo dos três primeiros séculos de vida do país, o estudo que se segue pretende colaborar para esse necessário conhecimento.
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