Brasília ainda chora: os anos sombrios e a tragédia brasileira
Por Mauro Motta BurlamaquiSobre o livro
Brasília Ainda Chora * os anos sombrios e a tragédia brasileira * Brasil . Juventude iluminada ,mas, afinal, perdedora -brilhante, bem intencionada , corajosa – e ingênua , inexperiente , incapaz de avaliar suas forças e as dos inimigos, as aparentes e as invisíveis.
A ação de opositores, inclusive agentes estrangeiros, clandestinos , foras da Lei, sob proteção do Estado, sempre via violência e ardis, abortando , construindo, reescrevendo a História do Brasil.
As tramas levam-nos a indagar se o terrorismo de então, inclusive crimes e violência aparentemente comum, teriam sido superados – ou se, após décadas, os brasileiros patinamos no passado, padecendo, sem perceber, daquelas heranças e armadilhas do passado – confusos e perdidos.
Contos, mas não só ficção sobre lutas contra a ditadura, pois abrangem período que chega a nossos dias . Além disso,abordam, via personagens,táticas,estratégias,divergências políticas, “desaparecidos”, amores, questões existenciais.
Os personagens movem-se desde décadas atrás – heróis e falsos heróis,vítimas e algozes, estrangeiros, CIA. E gente comum , à volta dos atores principais, mergulhada na política, mesmo sem consciência disso. Brasília Ainda Chora Brasília Ainda Chora / Mauro M.
Burlamaqui é um escritor maduro, talentoso e surpreendente, forjado da forma mais eficiente que é a da vida. Seus contos são tramas ficcionais, voos imaginários fruto das experiências vividas, lidas ou captadas pela observação e ambientadas em Brasília na época da Ditadura Militar no Brasil.
Contos que nos prendem pela autenticidade e nos levam a fantasiar. Não falarei de todos, mas afianço que os 17 contos pungentes de Mauro M.
Burlamaqui nos brindam com inaceitáveis verdades sobre a condição humana e possuem em suas narrativas curtas, mas empolgantes, cenas fortes, com uma carga emotiva que nos envolve e nos trás reflexões sobre nosso país, mostrando que quase nada mudou da Ditadura para cá em relação às mentiras políticas e sociais que moldam nossa sociedade, revelando o ser humano na sua essência, parecendo que não há esperanças para sairmos do abismo social em que nossa Nação mergulhou e, num espectro mais amplo e filosófico, nem para o melhoramento do sempre presente egoísmo humano.
Alguns contos me chamam mais a atenção e são os meus preferidos, sendo eles: “Com os dentes trincados” que mostra a situação de um trabalhador brasileiro que vem para a cidade grande na busca da ascensão social e com os parcos recursos que possui compra um carro…, mas sofre …; “Antes da tragédia” caminha sobre estereótipos, preconceitos e inversões de valores quando uma idosa vai à delegacia prestar uma queixa; “O deputado católico” revela a dubiedade de um “bom político” no olhar de uma mulher incapaz de ver o todo …e um Brasil absurdo de crimes ,sequestros … “Madrugada 13” nos traz um sombrio episódio onde um solitário faz suas vítimas nas noites brasilienses; “Brasília ainda chora”, conto que dá título ao livro revela um médico em ação, militante de uma das muitas organizações que faziam resistência à Ditadura Militar; “O assassino do lago”, embora possa ser lido independente dos demais contos, é o complemento de “Madrugada 13”… onde será revelado o destino do criminoso; e por fim, em “Um herói brasileiro” um agente da Ditadura, preso, recebe a visita de seu ex-chefe e conta uma história tão forte, tão densa que vai nos incomodando… e acelerando nossa respiração … Assim, nestes contos, quase roteiros cinematográficos, o leitor entenderá o painel sugerido …de décadas …(e muito mais se ler as entrelinhas)… e se encontrará e se encantará com uma Brasília que ainda chora.
(*) Pedro Pazelli (professor; escritor)
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