Noveleletas

Por João Vereza

Sobre o livro

“Na era das fórmulas e da repetição, nada melhor que apostar na ousadia. Ela é a marca de Noveleletas, livro de contos vendedor do Prêmio SESC de Literatura 2013. Uma constante: a ausência do medo de errar — que se manifesta na “Canção de Mané Cotó”.

Pode ser um poema, talvez seja um script para teatro, ou uma canção “de assustar” — e por isso o texto nos intriga. Audácia que já se anuncia na epígrafe tomada de empréstimo a Raduan Nassar: “dilate as pupilas, esbugalhe os olhos, aperta tua mão na minha, irmão, e vamos”.

Desejo de revirar a prosa coloquial, para desafiá-la. Pacto de coragem, como se manifesta em “O trem nascente”, o relato de abertura, em que a escrita coloquial imita a liberdade. Histórias que simulam um paralelo que, no entanto, pode ser mentiroso.

Na abertura de “A Maçã do Chorume”, o autor nos adverte: “Apesar das similaridades entre cenários e personagens, ‘A maçã do Chorume’ e ‘O trem nascente’ não são histórias relacionadas”. Devemos dar crédito ao que ele nos diz, ou a própria advertência é a cilada com que nos captura?

Em seus relatos, Noveleletas nos traz não a verdade, mas a simulação da verdade. Fantasia e expansão do real que são, desde a primeira linha, o contrato sobre o qual a ficção se ergue.” José Castello João Paulo Vereza escreve desde que se lembra.

Carioca, 33 anos, casado, redator publicitário, graduado pela PUC-Rio. Tem formação musical e é baterista de garagem. Mora em São Paulo desde 2006.

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