Sobre o livro
“A menina abriu as palmas, mas não segurou a flor que caía da árvore; macetou-a com os pés. – Elas me sufocam. Tem dias que as sinto dentro da minha garganta. Por isso, piso em cada uma que posso”.
Tendo como fundo os últimos dias do sequestro de Cecília Ávalos, desaparecida há mais de seis meses, “Tantas vezes me mataram” se constrói numa mescla de vozes narrativas e frações de pensamentos que aproximam os leitores, muitas vezes, à linguagem falada.
Sob a narrativa central, que perfaz o caminho até o achado do cativeiro, a história não se prende em uma linha temporal fixa, desenvolvendo-se através de múltiplas facetas. É um relato, sobretudo, de resistência. E a resistência é senão um ato de amor.
A mãe resiste à saudade e caminha por vielas e ruas quaisquer a fim de encontrar a filha, ao acaso; ao povo cabe tornar Santa a menina e lhe creditar milagres como meio de impedir a morte. Resiste-se ao esquecimento com a liberdade de crer.
“Tantas vezes me mataram“, o nome desta obra, é retirado do poema “Como la cigarra“, da argentina María Elena Walsh.
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