Sobre o livro
Ainda que algumas ilhas surjam da erupção inesperada de um vulcão após devastar tudo que encontra pelo caminho, o quanto conseguimos controlar nosso fogo interno e evitar que ele se rompa feito lavas? Mesmo sabendo que vai queimar os que mais amamos, por vezes, a explosão é inevitável. E cabe a nós, ao sermos vencidos pela força incontrolável da natureza, cuidarmos dos feridos e resgatarmos os mortos. Ou, pelo menos, tentarmos.
Gêmeas, Isabela e Isadora eram inseparáveis. Amigas, confidentes, cúmplices. Até que o destino abala violentamente o que parecia sedimentado e destrói tudo que haviam construído juntas.
Quase trinta anos depois, Isadora retorna à Ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde as duas irmãs se perderam uma da outra. Refazendo os caminhos que as separaram e que causaram tanto dor, através de cartas deixadas em pontos turísticos da ilha, Isadora busca esclarecer os detalhes obscuros de uma história proibida e mal contada.
A volta à ilha, onde Napoleão e ela foram condenados ao exílio – em todos os sentidos – serve de inspiração e lhe dá coragem para abrir seu coração e contar a irmã o que, até então, havia escondido de todos, por tanto tempo.
Nada fácil, mas Isadora está decidida a não deixar pedra sobre pedra; afinal, feito duas ilhas, isoladas e separadas por um imenso oceano turvo, não havia mais a perder.
“Se vim até aqui me desculpar, preciso ser sincera com você e lhe contar como tudo aconteceu. Você deve conhecer apenas retalhos da colcha e caberá a mim a costura final. Não pense que está sendo fácil, pelo contrário, a história toda aparece repicada em meus sonhos e acordo, há anos, em pedaços.”
“Uma vez mamãe comentou comigo que, quando éramos crianças, ela passava horas tentando chamar nossa atenção. Juntas, nos desligávamos do aqui e agora por completo e embarcávamos numa viagem só nossa. Até a progenitora era excluída – não precisávamos dela, tínhamos uma a outra.
Foi assim por muito tempo. Somente no colegial, em áreas e classes diferentes, é que começamos a nos afastar. Mesmo naquela época, não rompemos a placenta totalmente.
Podíamos não estar na mesma turma, mas nos intervalos ficávamos juntas, dividíamos os amigos e nas atividades extra-curriculares não nos desgrudávamos. Até Lando surgir…”
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