Doce complicação

Por Margarida Drumond de Assis

Sobre o livro

. Eis que chegamos a 2017, tempo no qual partilho com você a inenarrável alegria de completar quarenta anos de Literatura, e isto lhe entregando um novo romance, Doce complicação, gênero literário que sempre me fascina e que inaugurou minha entrada na literatura brasileira.

Com esta nova história de amor, os protagonistas Victor e Lidiane se juntam a Cibele e Roberto, de Um conflito no amor; a Paula e Inácio, de Aconteceu no cárcere; a Vó Helena e César, de Tempo de saudade; e a Beatrice e Cleber, de No acerto dos bondes.

Juntos, brindam conosco o precioso momento desta comemoração.

E imbuída do compromisso de, enquanto escritora, oportunizar entretenimento, trago em Doce complicação um tema ao qual não podemos ficar indiferentes: a dura realidade que vivem em suas casas e/ou nas instituições de saúde os portadores de algum transtorno, como a esquizofrenia, o transtorno bipolar, entre outros.

Mas como frisou o psicólogo e escritor Jason Frutuoso, no “Prólogo” com o qual nos presenteou, os meus olhos estão voltados “para os Serviços de Saúde Mental, deixando um pouco de lado as psicopatologias para mostrar os outros aspectos que permeiam não só a vida de uma pessoa portadora de transtornos emocionais, como também a vida das instituições de saúde mental e de seus servidores”, tudo fazendo pela via da humanização.

Ainda conforme Jason, os personagens de Doce complicação “não se acomodam, eles foram construídos com a missão de provocar uma mudança institucional”..

É nesse contexto que nasce e vai crescendo a história de amor que incendeia a vida da terapeuta ocupacional Lidiane com Victor, interno de um dos hospitais psiquiátricos de minha ficção.

O romance de ambos faz com que nos defrontemos com a indagação sobre a coragem que devemos ter, se quisermos superar possíveis dificuldades em nossa vida.

O filósofo alemão-estadunidense Paul Tillich (1886 – 1965), defensor da liberdade humana, em sua obra A coragem de ser, ressalta que a coragem “é uma atitude ética e filosófica na qual o homem afirma seu próprio ser, a despeito daqueles elementos de seu meio e de sua existência que entram em conflito com sua auto-afirmação”.

Assim, na ansiedade de amar e de ser amada, também querendo ver feliz o ser amado, Lidiane tenta construir uma nova história.

Com Lidiane e Victor, uno-me ao escritor holandês, Erasmo de Rotterdam (1466 – 1536), no seu Elogio à loucura, quando diz: “de boa-fé, qual mortal quereria sujeitar-se ao casamento se tivesse considerado antes, como homem sensato, os inconvenientes desse estado?“ Daí a coragem de que falei; é mister que se tenha coragem para o “novo” que pode surgir: aceitar ou não o diferente, o imprevisível?

Permitir-se ou não um amor em meio ao temor e à insegurança do ser? Agora, na expectativa de que esteja ansioso (a) pelas novas páginas que esperam por você, eu me atenho neste falar.

Antes, porém, o meu cumprimento pela oportunidade à qual você se permite para conhecer o curioso mundo dos personagens deste romance. Seja ótimo o seu entretenimento, emaranhando-se na trama de Doce complicação.

Margarida Drumond de Assis Brasília, Distrito Federal, início da Primavera de 2016

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