O TEMPO DE CHAPÉU DE COURO

Por Janilde Gomes Cardoso

Sobre o livro

Ei, você já leu um poema, hoje? Vá ler Carlos Drummond de Andrade, aproveita que a vida ainda pulsa no seu ser. Alice leu alguns, e cheirou uma rosa vermelha, mas teve o cuidado de tirar os espinhos e também uma pedra do caminho, pois no caminho sempre há uma pedra. Não é?!

O tempo de chapéu de couro passou veloz perto de você. Você viu…? As perguntas se derramavam em cima dela, e outras dúvidas frequentes caíram em sua mente: O mel realmente é vômito de abelha? Você já ouviu falar do café Kopi Luwak? Caviar do oriente, sabe o que é? Você tomaria a chicha?

O mothman realmente existiu? Qual o significado por trás do canto das cigarras? Como a alma fica presa no ser? Quem guarda os anjos da guarda? Onde fica o ponto G? A chave dos mistérios está escondida no baú dos segredos, e a vida com coragem ficou vazia de medos.

Vai um presente para você: um inseto horroroso também traz a centelha divina em seu ser, ame-o. Tem uma canção que Alice adora, pois toca seu coração, ela diz: “Eu! Prisioneiro meu, descobri no breu uma constelação… Céus! Conheci os céus, pelos olhos seus, véu de contemplação… Deus!

Condenado eu fui, a forjar o amor no aço do rancor, e a transpor as leis mesquinhas dos mortais… Vou! Entre a redenção e o esplendor, de por você viver… Sim!

Quis sair de mim, esquecer quem sou e respirar por ti, e assim transpor as leis mesquinhas dos mortais…” Talvez você não saiba nada sobre Alice, então vai uma dica para você: ela gosta do que emociona o coração, gosta de sentir a vida pulsando no ser, pois essa é sua forma de ser.

Ela só quer ser moldada pela sua alma, não uma caricatura bizarra e falsa que pelas mentes maldosas é criada. Tal pensamento lhe fez recordar que estava vivendo uma mentira com Nicholas Sartori, usando roupas caras e maquiagem sempre que saia com ele para algum evento.

Alice olhou novamente para sua cara no jornal, aquela pessoa não era ela, não refletia o seu interior, mostrava uma cara estampando a arte de um habilidoso maquiador.

Ela ficou observado a imagem, que mostrava os dois juntos, durante muito tempo, tratando de decifrar a mensagem que a fotografia passava, e sim, eles pareciam um casal apaixonado, pois estavam muito próximos, dedos das mãos entrelaçados, e sorriam com cumplicidade e carinho.

Alice quer sussurrar uma mensagem secreta no seu ouvido, escuta: não lhe importava o mínimo os julgamentos alheios, mas odeia quando inventam falsidades sobre ela. Seu objetivo na vida não é agradar as pessoas, é simplesmente ser. Deus não cria cópia, tudo que ele faz uma identidade traz.

Somos únicos, graças a Deus! Uma voz lá do fundinho da sua mente avisou-a que aquela fotografia poderia trazer alguns transtornos, então ligou para Nicholas.

– Nick, temos um problema.

– Sei, uma química gigante entre nós.

– Não isso! – ela disse, com um suspiro exasperado.

– Se não é isso…

– Nossa foto está no jornal, na internet, e…

– E daí?

– Mostra o meu rosto… Isso não é bom.

– Digo mais uma vez… E daí?

– Não posso aparecer, se meu dono souber onde estou, ele…

– Ele não é o seu dono! – Agora o exasperado era ele.

– Sabe o que eu quis dizer.

– A foto nos mostra juntos no casamento do meu melhor amigo… só tem uma linha sobre nós…

– Diz que você segurou de forma íntima a minha mão, que não saiu do meu lado.

– Questiona nosso relacionamento, sei… mas você sabia que isso ia acontecer.

– Sim, mas não posso mostrar o rosto, te disse isso!

– Vi as fotos, você está muito diferente da garota que conheci no supermercado…

– Acha que “dono” nunca me viu com vestido de seda e usando maquiagem?

– E acha que homem olha a coluna social do jornal?

– Você olhou…

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