À sombra do amor: Os Irreverentes Livro 2

Por Nathalia Marvin

Sobre o livro

Santiago Smith é quase uma sombra. Seu rosto não é muito visto, ele não é muito visto. Ele não quer ser. Não fala muito, não se revela tanto. Seu jeito introspectivo não é questionado, pois ele não precisa dar satisfações a ninguém. Não mais.

É seu próprio chefe, construiu o seu próprio império e manda em tudo, absolutamente tudo. Ele tem muito dinheiro, sua riqueza é surpreendente e ele faz questão de destacar isso. Ele faz, é preciso fazê-lo.

Principalmente para o seu pai, o homem que ensinou a ele o que é o ódio.

Santiago odeia o seu genitor de uma maneira que não consegue descrever. O sentimento é um furor diário e a mera menção sobre seu pai pode fazê-lo explodir.

O rancor é corrosivo e amargo, então não é possível perdoar o jeito que era maltratado na infância ao invés de ser amado. Perdoar a forma como os atos do pai eram encobertos pela mãe. É incabível considerar o perdão porque também sabe que é impossível se esquecer de tudo.

Logo, sim, Santiago está bem com isso. Em manter esse sentimento áspero que se tornou parte dele diariamente, e não se importa. Nada importa, que não o cuidado com suas riquezas, o medo de ser roubado e que mexam no que é dele.

Só não estava em seus planos que alguém o questionaria a respeito, o fazendo pensar além das profundezas.

Celeste, sua empregada, não sabe da situação delicada que é para ele falar a respeito desse assunto, mas ela quer entendê-lo.

A insistência dela em contraste com o aço da proteção que ele impôs em si mesmo pode resultar em algo que não dor?

Santiago não contava que Celeste fosse entendê-lo e isso porque passa por uma situação semelhante. Ou pior.

“— Eu acho que é um extremo, sabe? — digo. — O meu pai não é o maior exemplo do mundo, mas supondo que ele esteja prestes a morrer e peça o meu perdão, eu vou perdoá-lo.— Vai perdoar apenas porque ele está morrendo.Não é uma pergunta e sim uma análise.— Sim, mas iria — afirmo.

— Seria pela paz em sua morte e para a minha paz em vida.Ele balança a cabeça. Não está de acordo.— Acho que seria muito fácil se arrepender só no leito de morte pelo medo de ir para o inferno — seus olhos se voltam para mim, certeiros e ainda vazios.

— Isso seria só mais um motivo para eu não perdoar o meu honorável pai.— Você quer que ele vá para o inferno? — disparo.— Foi o que ele fez da minha vida: um inferno.Meus olhos se arregalam.— Isso é cruel — despejo.

— Só queria dizer que não vale a pena se vingar de quem considera a sua existência insignificante.— A minha existência não é insignificante — ele ralha, me olhando como se eu tivesse duas cabeças.— Não, não é — impensavelmente, eu ergo minha mão do colo e levo até sua, cobrindo-a como consigo.

— Mas para o seu pai, você é um filho. A sua mágoa, a sua dor, são insignificantes, porque ele está acima de você como pai.Santiago me encara e estuda, parecendo fechar mais o semblante a cada segundo.

Sua mão treme sob a minha, até que ele a puxa, desfazendo o contato.Então sim ele se levanta, me fazendo morder o lábio.— Estou indo dormir — ele avisa, deixando a cozinha pela porta lateral.Decido ficar mais um tempo na cozinha, para desfrutar dos meus últimos momentos desse lugar esplêndido.Porque algo é certo: a minha demissão.”

À Sombra do Amor é o Livro 2 da Série Os Irreverentes.

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