O manuscrito

Por Edgard Telles Ribeiro

Sobre o livro

O que há de novo em O MANUSCRITO é a narrativa descontínua, como um de quebra-cabeças, envolvendo vida, morte, insanidade e esperança. Mas o que poderia se tornar pesado como proposta, revela-se leve e, muitas vezes, engraçado.

Os personagens, sejam eles reais ou não, estejam eles presentes ou não — já que muitos apenas emergem aqui e ali por obra e graça de uma correspondência que costura o livro — vão aos poucos compondo um painel em que as mais variadas denúncias são feitas.

O MANUSCRITO conta a história de Paulo Valadares, um escritor envolvido com uma misteriosa mulher. Gretta é uma presença nas entrelinhas, uma mulher misteriosa, que tanto pode existir como ser mera elaboração de Paulo.

Como musa inspiradora, no entanto, ela deixa muito a desejar. Critica e reclama, mas também se entrega: é mais amante que musa.

O livro, independentemente da história linear de que também se ocupa, traz um foco de denúncias contra a inércia e paralisação nas quais, com freqüência crescente, nos sentimos aprisionados nos dias de hoje.

São aqueles mistérios que permanecem indecifráveis no texto e na vida: nossa falta de controle sobre o curso dos acontecimentos, a incapacidade de se agir segundo a consciência, as hipocrisias inelutáveis.

Em O MANUSCRITO, essas preocupações se revestem de importância, dado o enfoque narrativo voltado para as fronteiras que separam a morte da vida e da insanidade.

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