Toca Do Jaú

Por Danilo Soares Marques

Sobre o livro

Conforme os anos iam passando, Sebastião sentia que ia perdendo dia a dia um pouco de sua fé. Já tinha dúvidas se tinha escolhido o caminho certo ou se ingressara na vida religiosa para contentar seus pais.

Não concordava com muitas coisas da doutrina católica e se questionava muitas vezes em assuntos de ordem moral e ética. Sua fé, antes inabalável, estava a um passo de desmoronar. Amanhã iria aconselhar-se com o Bispo, antes de tomar atitudes das quais poderia se arrepender mais tarde.

Às vezes um conselho de alguém com mais experiência e que vê os fatos de outro ângulo, poderia ser de grande valia. Foi com estes pensamentos que o Padre Sebastião Ferreira foi dormir. Entre a culpa e a felicidade, adormeceu com um sorriso nos lábios.

—————————————————————————————————- As cartas entre Ana Paula e Sebastião a cada dia que passava iam se tornando cada vez mais e mais íntimos.

Deixando a timidez de lado, Ana Paula resolveu tomar a iniciativa e convidar Sebastião para um encontro. Não sabia por que, mas estava começando a gostar daquele padre. Isto seria pecado? Sonhava com ele e não raro se imaginava aconchegada em seus braços.

Sebastião sentia que a situação estava fugindo do seu controle. Investia cada vez mais naquele louco romance. Ao receber o convite para um encontro, ficou sem saber o que fazer. Pediu um tempo para pensar melhor, muito embora ideia semelhante já viesse há muito tempo passando por sua cabeça.

—————————————————————————————————— O vulto esgueirava-se protegido pela escuridão. Trazia em uma das mãos um pequeno frasco e na outra o que parecia ser um lenço.

Iria fazer o que tinha que ser feito, mesmo que isto lhe trouxesse futuras complicações. O certo era que não poderia deixar as coisas tomarem o rumo que estavam tomando. Algo precisava ser feito. E seria esta noite.

Uma coruja piou para logo em seguida bater asas assustada, deixando o galho onde repousava tranquila até aquele momento. —————————————————————————————————— Clarissa Barone chegou ao bar por volta de 20:30 minutos.

Estava um pouco atrasada, pois Dario demorara-se mais do que de costume para sair para a jogatina. Já não estava aguentando mais as insinuações de Barone, e precisava resolver seu romance da melhor maneira possível. Atravessou o pátio arborizado quase correndo.

Seu coração palpitava e sentia o sangue correr por todo seu corpo. O apito do guarda noturno se ouviu ao longe. Gotículas de chuva começaram a cair. A noite de primavera estava agradável e se não chovesse seria uma noite perfeita.

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