Passé Composé

Por Celso Azzan Jr.

Sobre o livro

Estamos aqui diante da história de um brasileiro que, após desentendimentos com a própria família, vai para Montreal com a finalidade de lá realizar seu doutorado em psicologia criminal. Para ele, trata-se de um autoexílio – um autoexílio desejado por muitos. E todos têm seus motivos…

É trabalhando como detetive nessa cidade, no entanto, que ele conhecerá as maiores desventuras de sua vida, com sua sorte se complicando de vez após o desfecho de um caso inacreditável que quase o destrói por completo. Mas ainda restará algo dele.

Demitido da maior agência de investigações da cidade, ele junta o que resta de si próprio (e de sua reputação já meio avariada) e se une a uma antiga secretária dessa agência na tentativa de reconstruir a vida enquanto cuida, como um freelance da bisbilhotice, de uns casos mais ou menos simples.

Algum tempo se passa assim, e sua tarefa de refazer-se, acidentada e imprevisível, vai, enfim e aos poucos, entrando nos eixos.

Um dia, porém, quando tudo parecia reencontrar ritmo normal em sua vida ainda precariamente reconstruída, uma mulher tão irresistível quanto misteriosa o contrata para resolver um caso horripilante, e é aí que seu mundo realmente vira de cabeça para baixo, jogando-o na mais tenebrosa das histórias e juntando ao seu redor, a despeito de suas vontades, os maiores escroques da cidade.

Mas não é disso, enfim, que vive um detetive que trabalha na clandestinidade e sempre procura quem não mais se quer encontrar?

Não é dessa matéria, algo surrealista, que se alimenta a vida de alguém que decidiu perscrutar o mundo apenas para mergulhar na escuridão que o cerca e tentar resgatar de lá algo que ainda valha o sacrifício e as avarias conquistadas pelo caminho?

Uma vez finalizado seu último caso, com absolutamente nada resolvido, resta perguntar: o detetive, esse sujeito que vive os dramas alheios, e que quase nunca os resolve de fato, trabalha em nome de quê, afinal?

Nesta história em que o certo e o errado se confundem, a única certeza é a de que o mal (assim como o bem, este muito mais raro…) sempre se faz a despeito do que sabemos, do que somos, do que fazemos. É por isso que é possível viver, diria nosso detetive…

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