Sobre o livro
Como bem se anuncia, esta é uma história de amor. Mas não espere encontrar coraçõezinhos pairando no ar e outras fofurices de similar maciez.
No submundo anárquico do centro de São Paulo, onde não há espaço para perfumes nem para boa educação, o mais sublime dos sentimentos se manifesta de forma tão visceral quanto no tempo das cavernas.
E o que começa como um singelo caso de rejeição amorosa de repente se transforma num pandemônio de brutalidade e violência gratuitas.
Esta é, portanto, também uma história com viés policial. Mas é claro que, dos ares sombrios da noite paulistana, passam longe os detetives cerebrais que fizeram a fama do gênero. Em LINHA D, crime e mistério ficam restritos aos próprios envolvidos.
Até mesmo a corriqueira investigação policial tem papel secundário: são eles, os transgressores, que se complicam e se resolvem sozinhos, afundados num lamaçal de baixarias em que cada um olha por si — e Deus por ninguém.
No conflito principal, um deficiente mental agressivo e um maquinista ferroviário lutam pelo amor de uma prostituta. Entre os protagonistas há ainda duas anãs de circo mal-humoradas e um michê que se ocupa em traficar afrodisíacos caseiros. À espreita, outros personagens das ruas se apresentam — a vendedora ambulante sadomasoquista, o mendigo depravado, o surdo-mudo com curiosas habilidades dançarinas.
Imersos em suas excentricidades, são figuras recorrentes em qualquer grande cidade do Brasil. Aqui vão além do lugar-comum da esquisitice e da exclusão social e escancaram toda sua humanidade numa trama repleta de paixões, violência, sexo e loucura.
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