E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto
Por Rubem FonsecaSobre o livro
“Eu disse que para alguns escritores a literatura deve ser doce e edificante, isto é, suficientemente açucarada e boa para agradar paladares delicados e refinar moral e espiritualmente o leitor, mas que o escritor não era um confeiteiro de bolos nem um pedagogo, os bons escritores, como Sade, enchiam o coração e as mentes dos leitores de medo e horror, porque a vida era isso, medo e horror.”Dois homens unidos por um mistério e uma atração irresistível por churchills e panatelas.
O criminalista Mandrake, velho conhecido dos leitores de Rubem Fonseca, retorna nesta trama de isolamento, depravação e assassinatos costurada por relatos do escritor Gustavo Flávio, que já nos foi apresentado no romance Bufo & Spallanzani.Ex-comissário de polícia, Rubem Fonseca sabe que casos de homicídio são quebra-cabeças nos quais as peças mais importantes estão sempre faltando, e as disponíveis cumprem o papel de iludir e despistar.
Exímio estrategista da palavra, o autor realiza suas tramas abusando do uso de referências e autorreferências, e consegue, de forma elaborada e prazerosa, tornar uma novela de estrutura detetivesca um verdadeiro ensaio sobre a arte do texto.Publicado originalmente em 1997, E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto, título tirado de versos de Álvares de Azevedo, é um dos melhores exemplos da singular combinação de crueza e erudição que marca a obra de uma das grandes vozes literárias de nosso tempo.
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