A Cidade Sebastiana: Era da Borracha, Memória e Melancolia numa Capital da Periferia da Modernidade
Por Fábio Fonseca de CastroSobre o livro
Este livro é um ensaio, no campo da sociologia da cultura, a respeito da memória social sobre o Ciclo da Borracha na cidade de Belém, estado do Pará, na Amazônia brasileira.
As memórias de opulência deixadas na cidade de Belém pelo ciclo econômico do látex legaram, igualmente, uma memória social, compartilhada e reverberada pelas gerações seguintes, de crise e decadência, de derrota e fracasso.
Os belemenses romantizam o ciclo do látex, transformando-o em Era da Borracha, palavra de ordem de uma memória dolorosa e padrão narrativo de melancolia coletiva que só começou a se desfazer com a integração da cidade e da Amazônia à sociedade nacional brasileira, a partir do final dos anos 1960.
Este livro descreve essa memória coletiva. Procura dialogar com o mito mais do que evidenciá-lo. Procura construir uma sociologia fenomenológica muito próxima à história cultural e, também – por que não? – à literatura.
O trabalho, originalmente uma dissertação de mestrado, foi orientado pelo professor Benedito Nunes e defendido em 1995. Esta é sua primeira versão impressa. Sua edição precede o centenário daqueles dias de crise, em 1912, antecipada pelos sismos econômicos e sociais de 1905 e 1910.
Dias que congelaram a história de Belém. Dias sem heroísmo. Sua memória perdura, cem anos depois, ainda que, nem sempre, tal como se sabe a memória, tal como se entende o que seja memória.
Melancolia sebastiana, frouxa e inexata, plena dessa insensatez das cidades que morreram prematuramente e que, não obstante, continuam.
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