PIAFEX – Programa de intervenção em Autorregulação e Funções Executivas
Por Natália Martins DiasSobre o livro
Os conhecimentos trazidos com o avanço das Neurociências não deixam dúvidas de que o processo de aprendizagem, o comportamento adaptativo e a regulação emocional dependem de modo relevante do desenvolvimento adequado das funções executivas.
Quando essas funções não se desenvolvem adequadamente, ou quando se encontram, por alguma razão, prejudicadas, o indivíduo pode experimentar uma série de dificuldades de ordem cognitiva e/ou comportamental que, por sua vez, podem conduzir a fracasso social, acadêmico e profissional.
Esse indivíduo fica demasiadamente suscetível a eventos externos, torna-se inadequado, não consegue fazer planos, dificilmente termina uma tarefa, mostra-se desatento ou impulsivo.
Já foi evidenciado que um maior desenvolvimento dessas habilidades poderia promover melhor adaptação e rendimento escolar, além de prevenir uma série de problemas sociais e de saúde mental, o que conduziria à diminuição nos custos sociais relacionados a comportamentos desadaptativos e antissociais, incluindo adicção a substâncias químicas, e no diagnóstico de distúrbios que frequentemente incluem alterações no funcionamento executivo, a exemplo do TDAH e do Transtorno de Conduta.
Nessa mesma direção, diversos autores têm enfatizado a importância de promover o desenvolvimento precoce das funções executivas, dada sua relação com prontidão escolar e sua relevância para a realização acadêmica ao longo dos anos escolares; são habilidades com importante poder preditivo sobre o desempenho em leitura e matemática no decorrer da escolarização.
Fundamentalmente, proporcionar meios e oportunidades para a prática e para o desenvolvimento das habilidades executivas pode ser benéfico a todas as crianças.
Tal postura pode minimizar ou prevenir dificuldades ulteriores, preparando esses indivíduos para lidar com as demandas crescentes impostas pela escola e mesmo pela sociedade.
Segundo a literatura, a ênfase na aquisição de conhecimento sem ênfase nos processos cognitivos por meio dos quais o conhecimento é adquirido, sobretudo com relação a crianças jovens, muito provavelmente conduzirá a um sistema educacional ineficaz.
Neste ponto, emerge a questão: Seria, então, possível promover o desenvolvimento das funções executivas em crianças?
Com esse objetivo é que foi desenvolvido o Programa de Intervenção em Autorregulação e Funções Executivas, ou Piafex.
O programa reúne um conjunto de atividades que visam estimular o desenvolvimento de habilidades em crianças pré-escolares e no início do Ensino Fundamental, incluindo habilidades como organização, planejamento, inibição de impulsos, atenção, memória de trabalho, metacognição e regulação emocional.
Pode ser aplicado nos contextos clínico e escolar, como ferramenta de reabilitação ou de intervenção precoce. A aplicação preventiva do Piafex, porém, é seu maior objetivo!
Ou seja, o professor encontrará neste programa de intervenção subsídios teóricos e práticos que o auxiliarão a estimular o desenvolvimento das funções executivas de suas crianças, auxiliando-as a lidar com as demandas crescentes da escola e da sociedade.
Quem pode aplicar o Piafex?
– Professores, psicólogos, psicopedagogos e profissionais ligados à área educacional.
Qual a idade adequada para participar das atividades?
– O Piafex foi inicialmente desenvolvido e testado em crianças de 5 (Educação Infantil) e 6 anos de idade (primeiro ano). Porém, é possível adaptar as atividades e expandir a faixa etária.
Pode-se usar o Piafex na clínica?
– As evidências da eficácia do Piafex são oriundas de sua aplicação em contexto de sala de aula. Porém, é possível aplicá-lo em contexto clínico. Nesse caso, sugerem-se sessões em grupo, pois a interação tem papel relevante em muitas das atividades do programa.
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