Seritemplo

Por Helder Fernandes

Sobre o livro

O conto que dá nome ao livro é, na minha opinião, minha melhor estória. Nele, vislumbro as possibilidades que antecedem a leitura de uma importante obra, ou da necessidade premente que trazemos de encontrar na escrita a solução de nossas angústias.

A importância maior deste título-estória é que com ele pude unir e dar forma a este livro.

Dividi-o, como verão, em duas partes, por pensar que essas duas facetas de um homem merecem a devida ênfase, mas, estou certo, achará o leitor de encontrar, numa e noutra, o seu melhor encaixe, trazendo à primeira parte o que pertença à segunda, e vice-versa.

Em Sombras da Noite, Ou o Drama e o Ser, procurei nos recônditos de minha existência o material necessário que daria aos contos uma vertigem meio que sombria. Quis, mas não sei se consegui, que os títulos evocassem, como em mim evocam, a névoa obscura de que são compostas todas as almas.

Já em O Fantasma Eletrônico, Ou o Cômico e o Templo, me desfiz do trágico, única forma capaz de suportar o insustentável peso dos sentimentos do livro anterior.

Disseram-me que por menção inconsciente da palavra Templo no subtítulo, acabei por acrescentar ao cômico um novo elemento, ou seja, que contém esta segunda parte também o terror – o que não duvido.

Portanto, de uma ingênua tentativa de matematizar o espírito, sai este livro de contos – em parte dramático, em parte terror-cômico. Contos curtos, ou microcontos como chamam alguns; contos-rápidos, como eu os chamo; e, porque não, somente contos.

A novidade da obra, única que julgarão meus amigos e inimigos, é que me-é a primeira. Torço, assim, para que não seja a última. Por ora é só.

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