Distopia

Por Kalebe Vargas

Sobre o livro

A noite alta se fazia, com um nevoeiro rasteiro cobrindo toda a região. Entre os restos de lenha ainda em brasas e as entradas das casas, apenas a muda presença de uma ausência gritante. A ausência de vozes, de risos, de ares e suspiros.

Era como se o vilarejo abandonado, depois repovoado, tivesse tornado aos seus dias de solidão.

Mas quem se atrevesse a fechar os olhos e se concentrasse em transpassar a densa cortina de silêncio, degustaria parte do desprazer de ouvir os ruídos que emanavam do interior da segunda casa, a da direita de quem entra no pátio.

Era sutil, contudo, perdurara em ondas crescentes, até que irradiou pelos quatro ventos, despertando a todos no local. Seria um cão? Um coiote? Um animal selvagem, que ao buscar intimidar uma lebre ou uma corsa, rosnou e mostrou os dentes?

Independentemente do que fosse, todos correram para o pátio para verificar se ainda era seguro permanecer por ali. E de fato, não o era! Henry corre para a rua e se depara com Elisa, Cecil, Ruth, seu irmão mais velho, e dois dos três homens.

Eles olhavam fixamente para a casa na qual o terceiro homem havia pernoitado. Então ele se aproxima do Ruivo, já sabendo do que se tratava. — Já começou? — Pelo visto… Sim!

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