Sobre o livro
Conta-se que numa de suas expedições, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, teria alcançado um local prodigioso. Nele, as duas demências do século XVIII se cruzavam: o fanatismo religioso e a ganância pelo ouro.
Nesse local, há uma enorme rocha lembrando uma coroa de espinhos, bem como inscrições rupestres lembrando taças, cruzes, cravos, entre outros. E que haveria ouro brotando naturalmente do chão.
Por tudo isso, deram a esse lugar o nome de Martírios, por remeter aos martírios e sofrimentos de Jesus Cristo. Com o tempo, tornou-se uma lenda e ganhou o status de El Dorado brasileiro.
Essa demanda histórica é o principal pano de fundo deste romance, com um personagem de grande força: o Capitão Ramiro. Um herói com traços brutais, escravagista ruim que se compraz em punir os escravos no suplício do tronco, homem rude que não recua nem mesmo no enfrentamento à temida Igreja.
É, nesse sentido, um anti-herói. Mas sua grandeza estará situada no confronto que se estabelecerá entre essa personalidade de pedra e o bruto meio-ambiente do sertão sem limites. São duas forças titânicas.
A loucura, a ganância pelo ouro é aquilo que o fará abandonar sua confortável posição de força e prestígio em sua cidade para embrenhar-se pelo sertão rumo à mítica Martírios. Porém, ele não tem a menor ideia dos sofrimentos e provas que terá de superar para alcançá-la.
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